2.10.08

Liraglutide, nova medicação para diabetes tipo2

Liraglutide - Nova medicação para diabetes tipo2 reduz níveis de HbA1c e peso corporal,se comparada ao uso de glimepirida.

Um novo tratamento para o diabetes tipo 2 está ajudando a controlar os níveis de hemoglobina glicosilada, reduzir o peso corporal e o risco de hipoglicemia. Os pesquisadores estão investigando a segurança e eficácia do Liraglutine, do laboratório Novo Nordisk, como monoterapia para o tratamento do diabetes tipo 2.

>>ATUALIZAÇÃO:
- O liraglutide também está sendo utilizado para emagrecer (é isso mesmo: liraglutide emagrece).
- O que diz a Anvisa
Leia mais no final desse artigo.*


Em um estudo duplo-cego, randomizado, foram estudados 746 pacientes com diagnóstico recente de diabetes tipo 2 recebendo: 1,2mg de Liraglutide; 1,8mg de Liraglutide ou 8 mg de glimepirida por 52 semanas. Os primeiros resultados mostraram uma mudança nos níveis de hemoglobina glicosilada (HbA1c).

Ao final de 52 semanas de acompanhamento, os níveis de HbA1c reduziram 0,51% com glimepirida, comparados a uma redução de 0,84% com o uso de 1,2 mg de Liraglutide e 1,14% com 1,8 mg de Liraglutine. Seis pacientes em uso de Liraglutine abandonaram o tratamento devido a queixas de vômitos, enquanto nenhum em uso de glimepirida descontinuou a medicação. A redução média do peso corporal foi de 2 quilos nos pacientes em uso de Liraglutide, em comparação com um ganho médio de cerca de 1,12 quilos nos pacientes que usavam glimepirida.

>>Leia também: Diabetes tipo 2 pode virar epidemia em breve

Os principais efeitos colaterais foram náuseas, vômitos e diarréia.

As conclusões do estudo mostram que o Liraglutide é seguro e eficaz para terapia inicial do diabetes mellitus tipo 2 e reduz significativamente os níveis de HbA1c, o peso corporal, o risco de hipoglicemia e a pressão arterial sistólica quando comparado à glimepirida.

Fonte: The Lancet

* O liraglutide, cujo nome comercial é Victoza (fabricado pela Novo Nordisk), está sendo estudado atualmente para ser usado para emagrecer. Alguns médicos endocrinologistas já estão receitando o medicamento Victoza para emagrecer, no entanto esse uso ainda não foi liberado para esse fim porque os testes ainda não foram terminados.

O que se sabe é que pessoas obesas que estão usando liraglutide (Victosa) estão perdendo, em média, 7 quilos de peso por 3 meses de uso do medicamento.

Victoza (liraglutide) como funciona

O liraglutide é 97% semelhante ao hormônio endógeno GLP-1, por isso pode-se dizer que o medicamento Victoza faz a função do hormônio GLP-1.

Quando nos alimentamos, o hormônio GLP-1 ajuda as células beta do pâncreas na liberação de quantidades suficientes de insulina para levar (carrear) o açúcar do sangue para as células.

Victoza® ainda impede o fígado a liberar uma quantidade maior de açúcar, através da redução da quantidade de outro hormônio, o glucagon.

Victoza® tem o mesmo efeito e também ajuda a diminuir o tempo necessário para o alimento sair o seu estômago, ajudando o organismo a controlar os níveis de glicose (açúcar) no sangue.

O que diz a Anvisa
A Diretoria Colegiada da Anvisa faz esclarecimentos para veículos de imprensa e para instituições ligadas à saúde (como o Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Saúde (Conass), Conselho Nacional dos Secretários Municipais de Saúde (Conasems) e Conselho Federal de Farmácia) sobre as indicações do medicamento Victoza (liraglutida), e afirma que a medicação é indicada para o tratamento de diabetes tipo 2 e não deve ser usada para emagrecimento.

Em nota, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) esclarece que o Victoza é um produto “biológico”. Ou seja, trata-se de uma molécula de alta complexidade, de uso injetável, contendo a substância liraglutida. O medicamento, fabricado pelo laboratório Novo Nordisk, foi aprovado pela Anvisa para comercialização no Brasil em março de 2010, com a finalidade de uso específico no tratamento de diabetes tipo 2. Portanto, seu uso não é indicado para emagrecimento.

A indicação de uso do medicamento aprovada pela Anvisa é como “adjuvante da dieta e atividade física para atingir o controle glicêmico em pacientes adultos com diabetes mellitus tipo 2, para administração uma vez ao dia como monoterapia ou como tratamento combinado com um ou mais antidiabéticos orais (metformina, sulfoniluréias ou uma tiazollidinediona), quando o tratamento anterior não proporciona um controle glicêmico adequado”.

A agência ainda esclarece que trata-se de um medicamento “biológico novo” e, embora pesquisas tenham indicado eficácia e segurança aceitáveis, mesmo que indicado e utilizado corretamente, podem ocorrer eventos adversos imprevisíveis ou desconhecidos, que nesses casos devem ser informados ao médico.

Em estudos clínicos e nos relatórios apresentados à Anvisa foram relatados eventos adversos associados ao Victoza (liraglutida), sendo os mais frequentes: hipoglicemia, dores de cabeça, náusea e diarreia. Além destes eventos destacam-se outros riscos, tais como: pancreatite, desidratação e alteração da função renal e distúrbios da tireoide, como nódulos e casos de urticária.

Outra questão de risco associada aos produtos biológicos são as reações de imunogenicidade, que podem variar desde alergia e anafilaxia até efeitos inesperados mais graves. No caso da liraglutida, a mesma apresentou um perfil de imunogenicidade aceitável para a indicação como antidiabético.

Para o caso de inclusão de novas indicações terapêuticas deve-se apresentar estudo clínico Fase III comprovando a eficácia e segurança desta nova indicação.

Fonte: Anvisa (Anvisa reforça esclarecimentos sobre medicamento Victoza)

Veja a página do Saúde com Ciência especial sobre DIETAS / REGIMES / OBESIDADE

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