18.3.09

AVC (Acidente Vascular Cerebral) - derrame

Nesse artigo você verá : causas do AVC, fatores de risco, fisiopatologia, tipos de AVC, manifestações clínicas, como evitar.


Acidente vascular cerebral (AVC) ou simplesmente derrame cerebral. O que é, como tratar e o mais importante, como EVITAR.

O AVC é a 3° causa de morte mundial.

O que é AVC?


"A definição de Acidente Vascular Cerebral (AVC) do Dicionário Médico é uma manifestação, muitas vezes súbita, de insuficiência vascular do cérebro de origem arterial: espasmo, isquemia, hemorragia, trombose (Manuila, Lewalle e Nicoulin, 2003)."


AVC derrame

"Acidente Vascular Cerebral é um derrame resultante da falta ou restrição de irrigação sanguínea ao cérebro, que pode provocar lesão celular e alterações nas funções neurológicas.

 As manifestações clínicas subjacentes a esta condição incluem alterações das funções motora, sensitiva, mental, perceptiva, da linguagem, embora o quadro neurológico destas alterações possa variar muito em função do local e extensão exata da lesão (Sullivan, 1993)."

O AVC resulta da restrição de irrigação sanguínea ao cérebro, causando lesão celular e danos nas funções neurológicas.


CAUSAS do AVC


As causas mais comuns do AVC são os trombos, o embolismo e a hemorragia.


IMPACTO DO AVC NA MEDICINA
O AVC é a principal causa de incapacidade neurológica dependente de cuidados de reabilitação e a sua incidência está relacionada com a idade.


FATORES DE RISCO DO AVC

Os principais fatores de risco para a manifestação de um AVC são: a idade, a patologia cardíaca, a diabetes mellitus, aterosclerose, heredietariedade, raça, contraceptivos orais, antecedentes de acidentes isquémicos transitórios (AIT) ou de acidentes vasculares cerebrais, hipertensão arterial, dislipidémia, sedentarismo, elevada taxa de colesterol e predisposição genética (Sullivan, 1993; Weimar, Ziegler, Konig, Diener; Leys, Hénon, Mackowiak-Cordoliani, Pasquier, 2005).

Quanto maior for o número de fatores de risco identificados, maior será a probabilidade deste vir a ter um AVC.

O AVC pode ocorrer em todas as idades, mas é mais comum após os 55 anos de idade. O risco de acidente vascular cerebral é o dobro a cada dez anos a mais de vida.

TIPOS DE AVC

O AVC pode ser causado por 2 mecanismos distintos, por uma oclusão ou por uma hemorragia (Cohen, 2001).

AVC isquêmico: ocorre quando um vaso sanguíneo é bloqueado, frequentemente pela formação de uma placa aterosclerótica ou pela presença de um coágulo que chega através da circulação de uma outra parte do corpo (Cohen, 2001).

A arteriosclerose produz a formação de placas e progressiva estenose do vaso. As suas sequelas são então a estenose, ulceração das lesões arterioscleróticas e trombose (Sullivan, 1993). A trombose cerebral refere-se à formação ou desenvolvimento de um coágulo de sangue ou trombo no interior das artérias cerebrais, ou de seus ramos. Os trombos podem ser deslocados, “viajando” para outro local, sob a forma de um êmbolo (Sullivan, 1993).

Os êmbolos cerebrais são pequenas porções de matéria como trombos, tecido, gordura, ar, bactérias, ou outros corpos estranhos, que são libertados na corrente sanguínea e que se deslocam até as artérias cerebrais, produzindo a oclusão e enfarte (Sullivan, 1993).O AVC pode ainda ocorrer por um ataque isquêmico transitório. Este, refere-se à temporária interrupção do suprimento sanguíneo ao cérebro (Sullivan, 1993).


AVC hemorrágico (acontece em 10% dos AVC’s): ocorre devido à ruptura de um vaso sanguíneo, ou quando a pressão no vaso faz com que ele se rompa devido à hipertensão. A hemorragia pode ser intracerebral ou subaracnoideia. Em ambos os casos, a falta de suprimento sanguíneo causa enfarto na área suprida pelo vaso e as células morrem (Cohen, 2001).

Sintomas do AVC


Podem ocorrer todos ou alguns deles

- Alterações motoras,

- Além de dormência e formigamento que, com frequência, acometem apenas um lado do corpo.

- súbita fraqueza muscular ao segurar um objeto, mexer a mão, a perna ou o rosto.

- Alterações da visão como redução do campo visual, ou enxergar um lado meio nebuloso ou escuro ou a perda total da visão de um dos olhos.

- Alterações da fala. Os familiares notam que a fala do paciente se tornou arrastada ou percebem sua dificuldade de articulação ou de expressão.

Os sintomas dos acidentes vasculares se instalam subitamente. A pessoa foi dormir bem e acordou com um problema motor, por exemplo, ou estava trabalhando e de repente não conseguiu realizar determinada atividade.

- Dor de cabeça, vômitos ou perda de consciência são sintomas que podem ocorrer ou não, e são mais comuns nos quadros hemorrágicos do que nos isquêmicos.


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Leia abaixo um trecho de uma entrevista feita pelo Dr. Dráuzio Varella ao Dr. Eli Evaristo, médico neurologista e trabalha no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo e no Hospital Osvaldo Cruz.

(...)Possibilidades de tratamento
Drauzio – No passado, diante de um quadro de AVC, muita gente imaginava que nada mais poderia ser feito porque o problema já tinha acontecido. Esse é um conceito superado. Atualmente se sabe que é possível reduzir os danos provocados pelo AVC desde que ele tenha acabado de acontecer. Se ocorreu há vários dias , porém, pouco pode ser feito, porque os danos já estarão instalados.

Eli Evaristo – Algumas intervenções importantes, que podem ser feitas atualmente, mudaram o panorama de tratamento dos acidentes vasculares cerebrais. Para começar, hoje, a postura do médico é mais ativa e dinâmica no sentido de preservar o mais possível a função do cérebro, especialmente no grupo de AVC isquêmico, por sinal, o mais comum, uma vez que mais ou menos 80% dos popularmente chamados derrames cerebrais são acidentes vasculares cerebrais isquêmicos.É sempre bom lembrar ainda que mesmo que a alteração tenha sido transitória, o paciente deve ser levado para o hospital. Talvez, o sintoma não mais exista, mas a investigação urgente da causa desencadeante do problema pode prevenir a ocorrência de outro episódio em curto espaço de tempo.Algumas estatísticas mostram que acidentes vasculares isquêmicos transitórios podem ser prenúncio de um quadro definitivo que se instalaria nas 48 horas seguintes. Portanto, se a pessoa não der importância aos primeiros sintomas e marcar uma consulta médica para quinze ou trinta dias mais tarde, estará correndo um risco enorme de que algo mais grave aconteça.

DrauzioEm que consiste o atendimento hospitalar do paciente com sintomas de AVC transitório?

Eli Evaristo – Assim que a pessoa chega ao hospital procura-se avaliar o mecanismo desencadeante dos sintomas do AVC transitório que, muitas vezes, já desapareceram. Diagnosticar doença aterosclerótica, ou seja, se alguma artéria está passando por um processo de entupimento, ou um problema cardíaco que explique a chegada de coágulos no cérebro e introduzir o tratamento adequado para cada caso enquanto o paciente está normal, pode prevenir a ocorrência de novos episódios.Mesmo para os pacientes que chegam ao hospital com um quadro isquêmico mais dramático e alterações mais graves e intensas, existem tratamentos possíveis. O mais novo chama-se trombólise e consiste no uso de uma substância, normalmente por via endovenosa, para destruir o coágulo que obstruiu a artéria cerebral.Entretanto, do ponto de vista médico, nem todos os pacientes podem receber o tratamento trombolítico. O principal critério para indicá-lo está diretamente ligado ao tempo que o paciente leva para chegar ao hospital, no máximo três horas depois do início dos sintomas.

DrauzioO fato de o paciente precisar receber o medicamento até três horas depois do início dos sintomas limita muito o número de casos que podem beneficiar-se com o tratamento trombolítico.
Eli Evaristo – É verdade. Por isso, faz muita diferença o reconhecimento precoce dos sintomas. Quanto mais depressa a comunidade for capaz de identificá-los e buscar atendimento médico, maior será o número de pessoas beneficiadas com esse tratamento.Além de introduzir o tratamento trombolítico, outras coisas podem ser feitas assim que o paciente chega ao hospital. Com freqüência ele apresenta outros problemas de saúde, por exemplo, é diabético. Sabemos que a descompensação do diabetes na fase aguda e imediata ao AVC piora o prognóstico. Portanto, é fundamental controlar rigorosamente os níveis da glicemia visando à melhor recuperação do doente.O paciente com AVC pode ter distúrbios de deglutição e alterações de pressão arterial extremamente perigosas. Embora atualmente sejamos muito mais liberais em relação aos níveis da pressão arterial, em alguns casos, eles precisam ser rigorosamente controlados. Todas essas medidas somadas ao início precoce da fisioterapia contribuem para melhores resultados na recuperação das funções comprometidas pela doença.

Drauzio – Resumidamente, o que uma pessoa pode fazer para evitar um acidente vascular cerebral?
Eli Evaristo –Identificar os fatores de risco e modificar os que podem ser modificados é o mais importante para prevenir a doença. Controlar com rigor a pressão arterial e o diabetes, deixar de fumar e realizar atividade física representam grande benefício. Se a pessoa tem alguma doença cardíaca, deve procurar um médico que irá orientá-la quanto aos tratamentos preventivos adequados para seu caso. Além disso, se ocorrer algum sintoma que possa sugerir AVC, mesmo transitório, é fundamental procurar atendimento médico imediatamente para, se necessário, controlar a doença e prevenir complicações. (...)


O trecho abaixo foi extraído do jornal Agora
(...)Pessoas que tiveram um AVC (acidente vascular cerebral) têm grandes chances de passar pelo problema novamente se não tomarem medidas de precaução, como fazer o controle da pressão arterial, ter uma alimentação equilibrada e praticar exercícios físicos.
Na semana passada, a doença causou a morte do deputado federal Clodovil Hernandes (PR-SP), 71 anos. O estilista e parlamentar não resistiu ao segundo derrame. O primeiro ocorreu em 2007, provocado pela pressão alta.Leia notícia completa no jornal Agora

Diabetes, sedentarismo e alcoolismo são agravantes do AVC(...)
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