31.5.10

Cefaleia em salvas, sintomas, tratamentos

Antigamente conhecida como cefaléia de Horton, cefaléia histamínica, cefaléia agrupada ou em cachos, a cefaleia em salvas é uma doença rara. A dor dessa cefaléia é considerada a mais forte dor que existe - mais até que a cólica dos rins. Existem alguns milhares de sofredores dessa doença no Brasil (em contraste aos milhões de sofredores de enxaqueca), a maioria dos quais, sem diagnóstico e tratamento adequados.

A cefaléia em salvas ocorre muito mais em homens que mulheres (ao contrário da enxaqueca). A idade de início costuma ser após os 30 anos (enquanto na enxaqueca, costuma ser na adolescência).



Cefaleia em salvas sintomas

A dor é só de um dos lados da cabeça, nunca dos dois ao mesmo tempo. A dor da cefaleia em salvas pode mudar de lado numa próxima crise, mas ela jamais ocorre simultanteamente dos dois lados. A localização mais comum da dor corresponde à área de uma mão espalmada sobre um dos olhos. A duração da crise de cefaléia em salvas é curta, quando comparada à enxaqueca: cada crise costuma durar entre meia hora e duas horas. O problema é a intensidade da dor - verdadeiramente esmagadora! Durante a crise, é muito comum o olho do mesmo lado da dor ficar bem vermelho e lacrimejante; e a narina do mesmo lado ficar escorrendo sem parar.

O indivíduo em crise costuma se retirar para um recinto isolado, e não consegue parar quieto (ao contrário da enxaqueca, onde a pessoa procura ficar imóvel na hora da dor forte). Fica andando para lá e para cá, sentando, levantando, e em alguns casos, atirando objetos e até batendo a própria cabeça na parede. Por sorte, quanto mais intensa a dor, mais curta sua duração da crise de cefaléia em salvas. O problema é que a pessoa pode ter várias crises ao dia - é comum apresentar 3 crises diárias, uma delas durante a madrugada, atrapalhando muito o sono.

A cefaléia em salvas recebe esse nome porque, em geral, a pessoa é acometida por uma "salva" de cefaléias (digamos, 3 crises ao dia, de 40 minutos cada uma, durante 20 dias), seguida por um período sem cefaléias (que pode variar de semanas a anos), formando um padrão cíclico que se repete ao longo do tempo, com uma precisão impressionante. Também impressionante é a regularidade dos horários das crises, bem como da duração das mesmas, durante o período de salvas. É comum a pessoa saber dizer exatamente quantos minutos dura cada crise, bem como o horário exato de cada crise. É a dor com hora marcada!

Isso leva à conclusão que o relógio biológico do nosso cérebro está envolvido na geração da doença. Nessas horas, ele provocaria alterações em neurotransmissores como a serotonina, levando às crises de dor. Mas na verdade, não é só um problema do relógio biológico, pois há algumas (bem menos) pessoas que sofrem de cefaléia em salvas e que não têm esse padrão cíclico de ocorrência das crises. A verdade é que muito pouco ainda se sabe sobre a verdadeira causa desta doença.

Cefaleia em salvas tratamentos

Felizmente, já se sabe controlar o problema. Uma das maneiras de escapar de uma crise de cefaléia em salvas é através da inalação de oxigênio a 100%, durante 15 minutos (não serve ar comprimido, precisa ser oxigênio). De cada 4 sofredores, 3 obtêm um alívio rápido da crise mediante a inalação de oxigênio, em fluxo máximio, com a máscara bem apertada. É um método que deveria ser mais divulgado, afinal, não envolve drogas e está ao alcance de todos. Mas possui a desvantagem de não prevenir as crises, apenas aliviar a crise que já está acontecendo. Por isso, é preciso, também prevenir as crises.

Medicamentos
Para prevenção, existem remédios como a metisergida, o verapamil, o lítio, o valproato e a metilergonovina, entre outros, que o médico prescreve no intuito de espaçar as crises, torná-las mais brandas se sobrevierem, e mais fáceis de combater. Além do oxigênio, têm sido muito utilizados vários dos triptanos (principalmente o sumatriptano, rizatriptano e zolmitriptano) para o caso de uma crise na vigência do tratamento preventivo. Atenção: não use remédios preventivos sem receita médica, pois eles necessitam de acompanhamento e monitorizações especializadas.

A imensa maioria dos sofredores de cefaléia em salvas são fumantes inveterados. Portanto, quem não fuma está muito menos arriscado a ter essa doença.

Ao contrário da enxaqueca, o paciente com cefaléia em salvas não consegue identificar fatores desencadeantes de crises - com exceção do álcool. Durante o período de salvas, se a pessoa beber, certamente apresentará uma crise logo em seguida. Passado o período de salvas, a pessoa pode beber, que a crise não virá.

Normalmente, não se associa essa doença a fatores desencadeantes de ordem emocional. Porém, minha experiência demonstrou que existe uma associação. Pacientes meus passando por problemas emocionais, ficam muito mais difíceis de responder a tratamentos antes bem mais eficazes. Técnicas de relaxamento e de controle do stress são recursos eficazes em qualquer doença crônica, e a cefaléia em salvas parece não ser exceção.

Nossa fonte: enxaqueca.com.br/dr. alexandre Feldman

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