26.8.10

Depressão: HU estuda estimulação cerebral não-invasiva no tratamento da doença

Se você sofre ou conhece alguém que sofre de depressão, o texto abaixo trata de um tratamento experimental com estimulação cerebral não-invasiva, no HU.


Centro de Pesquisa do hospital busca voluntários com transtorno depressivo


O Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital Universitário da USP está avaliando o uso da estimulação transcraniana por corrente contínua para o Transtorno Depressivo Maior. Sabe-se que a depressão é causa de incapacidade muito freqüente.  Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o estudo começou em março e será concluído em dezembro de 2011. O protocolo de pesquisa analisará 120 pessoas com  depressão moderada, grave e muito grave, utilizando ou não medicamentos. 





O Transtorno Depressivo Maior é caracterizado pelo estado psíquico com humor deprimido, que prejudica as atividades profissionais e de lazer, levando a incapacidade de trabalhar e de se divertir, tanto por falta de prazer, quanto por falta de energia.  “Os indivíduos deprimidos apresentam alterações no padrão de sono e do apetite (muito ou pouco) e do pensamento (pensamentos de culpa, pessimista e de morte). Pessoas muito deprimidas também podem sofrer de dores crônicas e de distúrbios ansiosos”, explica o psiquiatra André Russowsky Brunoni, um dos responsáveis pelo projeto.

 “Nossa pesquisa se assemelha a outras já realizadas nos EUA, Itália, Alemanha e mesmo no Brasil. De maneira geral, estas pesquisas mostraram uma eficácia deste tratamento, o que anima novos estudos. Por outro lado, deve-se ressaltar que todos estes estudos foram em pequenos grupos e que as suas conclusões não são necessariamente aplicáveis na nossa população”, destaca o psiquiatra André Russowsky Brunoni, um dos responsáveis pelo projeto.

O procedimento utilizado durante a pesquisa é bastante simples. No paciente sentado ou deitado são colocados eletrodos, envolvidos em esponjas com soro fisiológico na região frontal da cabeça. A estimulação é indolor e não apresenta efeitos colaterais, nem de curto, nem de longo prazo. “A estimulação dura cerca de 30 minutos e deve ser aplicada consecutivamente por 10 dias úteis, aproximadamente duas semanas”.

Atualmente o tratamento da depressão é feito com o uso de antidepressivos, que podem causar diversos efeitos colaterais, como disfunção erétil, ganho de peso, sonolência, náuseas e vômitos, diarreia ou prisão de ventre, entre outros. “Estudos mostram que cerca da metade dos pacientes abandonam o tratamento em um ano devido aos efeitos colaterais. Além disso, um em cada três pacientes continua deprimido mesmo depois de tomar adequadamente mais de quatro antidepressivos.”

Um dos objetivos da pesquisa é mostrar que o tratamento da estimulação funciona no mínimo tão bem quanto o antidepressivo. “Podemos esperar que no futuro a estimulação transcraniana seja oferecida para aquelas pessoas que não toleram antidepressivos devido aos efeitos colaterais; pessoas que não podem tomá-los, como as gestantes ou ainda; pessoas que estejam em uma depressão muito grave e que possam receber tratamento combinado de estimulação e medicação”, conclui.

O Centro de Pesquisas Clínicas do HU está selecionando candidatos para participar da pesquisa. Os interessados devem ter idade entre 18 e 65 anos, ser portador de depressão sintomática (ou seja, no mínimo depressão atual moderada ou grave) e podem estar usando antidepressivos atualmente. Eles serão avaliados para confirmação do diagnóstico de depressão. Informações pelo e-mail pesquisacientificahu@gmail.com ou pelos telefones 3091-9241 (Roberta) e 3021-2222 (Lays ou Bárbara).

Participam deste estudo os professores Paulo Lotufo, Isabela Benseñor e Alessandra Goulart os psiquiatras Leandro Valiengo e André Brunoni, as psicólogas Giselly Vieira Pereira, Viviane Bueno e Alessandra Baccaro; a enfermeira Edna Caetano; as auxiliares de enfermagem Cibelle Soares e Fernanda Carvalho e a farmacêutica Lígia Fideli, todos do Hospital Universitário da USP;  além do neurologista Felipe Fregni, do Instituto de Psicologia; dos professores Décio Brunoni e Roberta Cysneiros, do Mackenzie e da Unifesp; do professor Paulo Boggio, do Mackenzie, e das coordenadoras de estudo Lays Cavallini e Bárbara Bonetti, do Instituto Scala.

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