9.8.10

Medicamentos Manipulados:Vantagens e Cuidados

Medicamentos prescritos “sob medida” podem ser mais baratos e eficazes, mas exigem atenção... 

No momento de prescrever o tratamento, a maioria dos médicos utiliza os remédios industrializados, aqueles que são produzidos em grande escala e possuem composição fixa, independente do paciente. No entanto, em alguns casos mais específicos é possível pedir medicamentos manipulados, que são feitos em farmácias especializadas “sob medida” para o paciente. Tanto na classe médica quanto entre os pacientes há pessoas que não confiam nos medicamentos manipulados. Quem tem proximidade com o setor destaca que existem várias vantagens, mas também cuidados a serem tomados no momento de adquirir um medicamento deste tipo.

Solema Garcia Fonazari utiliza os medicamentos manipulados há oito anos e várias pessoas de sua família já fizeram uso. Ela conta que tem uma farmácia de confiança, onde encomenda os remédios e que os resultados sempre foram positivos. “Eu uso um medicamento de controle hormonal continuamente, meu marido já utilizou remédios para a depressão e minha neta para um problema de pele, todos manipulados. O resultado foi sempre positivo, acho que o fato de os compostos serem dosados pensando nas particularidades de cada paciente faz a diferença”, relata. Outro cuidado que ela possui é buscar sempre a prescrição médica, “um fator bastante positivo é que o medicamento manipulado normalmente é mais barato, já cheguei a pagar metade do preço da farmácia convencional”, comenta Solema.





A farmacêutica Vanda Zardo é proprietária de uma farmácia de manipulação há oito anos e comenta que a maior vantagem é que os medicamentos são manipulados conforme a necessidade de cada paciente. “O medicamento produzido em série não leva em consideração se o paciente pesa 50 ou 150 quilos, isto trará efeitos diferentes. No caso de pacientes que precisam aliar vários medicamentos, a manipulação também é vantajosa, pois pode compactar tudo em uma só cápsula”, explica lembrando que quando a prescrição é realizada, a quantidade manipulada é feita de acordo com o tratamento, então não há sobra de medicamentos, como ocorre nos casos de compra de caixas fechadas de remédios.
 

Vanda comenta que alguns médicos ainda possuem receio com os medicamentos manipulados, mas que nos últimos anos as exigências têm se ampliado, o que melhora a qualidade dos produtos oferecidos. “Mesmo assim, algumas recomendações todos os pacientes que optam pelo medicamento manipulado precisam ter. Primeiramente é sempre conversar com o médico para saber qual a melhor opção e procurar sempre uma farmácia de confiança, em que haja um profissional responsável para fazer a prescrição”.

Outra diferença entre o remédio manipulado e o medicamento industrializado é o prazo de validade. Enquanto o remédio produzido em grande escala possui prazo de validade de vários anos, o remédio manipulado tem prazo curto, normalmente somente o período do tratamento. “A diferença é porque a determinação do prazo de validade depende de um estudo específico, para dar um prazo maior teríamos que fazer este trabalho em cada remédio o que seria inviável”, diz Vanda. Os empresários do setor estão viabilizando a criação de um Núcleo Setorial, para levar à população e à classe médica mais informações sobre as especificidades destes medicamentos. 

Vigilância Sanitária

Todo o controle sobre estas farmácias é feito pela Vigilância Sanitária. Segundo a fiscal Renata da Silva Braga, o controle é rígido e é possível comparar as cobranças feitas às farmácias com as realizadas à indústria farmacêutica. “Hoje em dia a legislação é bem rigorosa, muita coisa que antes só era cobrada da indústria também está sendo exigida das farmácias pequenas, mesmo não sendo uma produção em série existe uma responsabilidade e cuidados específicos, diferente do que é cobrado na farmácia que só faz a dispensação de medicamentos”, avalia. A primeira exigência é a permanência e supervisão de um profissional farmacêutico devidamente cadastrado. A vigilância realiza uma fiscalização anual para renovação da licença e também operações à parte, durante a rotina de fiscalização. Toda a matéria prima utilizada precisa de documentos que comprovem e eficácia e tudo que é vendido fica registrado num livro, onde consta quem comprou, qual médico prescreveu e qual é o medicamento.

Renata destaca que estes estabelecimentos precisam ter a licença sanitária exposta à vista do cliente e também uma placa onde conste o telefone da Vigilância Sanitária, para contato em caso de alguma reação adversa. “Por vezes acontece de o paciente ter reações alérgicas ou reações adversas. Nós fiscalizamos as causas e em Cascavel já tivemos casos de autuação, se for o caso, o problema é notificados a outros órgãos como a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]”, explica. 

Estima-se que no Brasil 60 milhões de receitas sejam manipuladas anualmente, de acordo com a Anfarmag (Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais), cerca de 100 mil médicos e dentistas prescrevem, pelo menos uma vez por ano, uma fórmula para ser elaborada numa farmácia de manipulação. Em Cascavel existem 13 farmácias de manipulação, em todo o Brasil são cerca de 7,8 mil cadastradas.

Fontes: Cgn.inf.br e Classifarmas

O conteúdo do www.saudecomciencia.com é escrito por um farmacêutico e é informativo e educativo. Não exclui consulta com profissional habilitado.

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