4.9.11

Poluição aumenta risco de apendicite, infarto e infertilidade

Poluição pode aumentar risco de doenças porque os poluentes provocam inflamações e alteram funcionamento do organismo.

Fonte: IG
Texto de Chris Bertelli


São Paulo passará a classificar a qualidade do ar baseado nos critérios sugeridos pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Com a mudança, o controle da poluição na capital paulista ficará mais rígido. O que antes poderia ser considerado “regular”, com a nova classificação, deverá ser enquadrado em “ruim”. Ficar atento aos relógios que revelam como está o ar que você respira pode garantir a sua saúde.



Quando o céu azul é encoberto pela película cinza, é preciso reforçar o cuidado. A poluição do ar é um dos grandes riscos à saúde e, segundo estimativas da OMS, causa dois milhões de mortes prematuras por ano em todo o mundo.

Em 2010, mais de 1.184.000 pessoas foram internadas por problemas respiratórios como asma, bronquite e outras doenças do trato respiratório superior no Brasil, segundo banco de dados eletrônico do Ministério da Saúde (DataSus).

Vermelhidão nos olhos, falta de ar e irritação na garganta são os sintomas mais corriqueiros quando a poluição sobe a níveis preocupantes. Mas são os sinais mais incomuns que preocupam seriamente os médicos. Quando os relógios sinalizam que a qualidade do ar está ruim ou regular, há um aumento nos riscos de doenças cardiovasculares, respiratórias e endócrinas.


Apendicite

No Canadá, médicos da Universidade de Calgary estudaram 5.191 casos de apendicite em três hospitais da cidade durante sete anos. A maioria das internações foi realizada nos meses mais quentes do ano, quando as pessoas estão mais na rua e, portanto, mais expostas à poluição do ar.

Leia também: O que é apendicite.


Mais infartos

O cardiologista Abrão Cury, do Hospital do Coração de São Paulo (HCor), é autor de um estudo com 16 mil pacientes. Ele comparou o número de atendimentos médicos com índices de poluição e notou que nos períodos com maior concentração de poluentes, a quantidade de pessoas que procuraram o hospital triplicou em relação aos outros meses.

“É uma cadeia de eventos que vão elevar as chances de piora dos sintomas de hipertensão. O ar poluído entra pelo pulmão, que funciona como uma grande esponja, e joga os poluentes na circulação sanguínea. Esses, por sua vez, provocam reações inflamatórias”, explica o médico.

“As mudanças no organismo provocadas pela poluição deixam o indivíduo bastante suscetível a paradas cardíacas e aumentam suas chances de ser acometido por infarto”, afirmou à agência USP o professor Ubiratan de Paula Santos. Ele coordenou uma pesquisa com 50 funcionários da CET, em São Paulo, em que relacionou a poluição com o aumento nos riscos de doenças cardiovasculares e respiratórias. Segundo ele, todo o processo começa no pulmão, por isso o ar poluído pode gerar tantos problemas.

Em idosos, crianças ou pessoas que já tenham problemas de saúde como diabetes, pressão alta, asma, os efeitos da poluição são ainda mais nocivos. Em períodos em que a qualidade do ar está ruim, elas vão mais ao pronto-socorro, ao médico, e morrem mais.

Fertilidade

A poluição também prejudica a fertilidade feminina. De acordo com pesquisas do médico Luiz Alberto Pereira, do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Universidade de São Paulo (USP), houve mais mortes de fetos nos dias em que a poluição era maior. Segundo a pesquisa, de cada oito mortes de fetos pelo menos duas podem estar relacionadas à qualidade do ar. No entanto, os pesquisadores explicam que os poluentes não causam o óbito, mas sim aumentam os riscos de morte.

Outra pesquisa, conduzida por Jorge Hallak, coordenador da unidade de Toxicologia Reprodutiva e de Andrologia do Hospital das Clínicas de São Paulo, atesta que gases tóxicos interferem na qualidade do sêmen, podendo ser uma das explicações para a infertilidade masculina.

Orientações

Evitar a poluição é praticamente impossível, já que os gases tóxicos estão por todas as cidades. Mas algumas medidas diminuem a exposição. “Correr no Parque Ibirapuera (na Zona Sul de São Paulo) às 18h é uma péssima ideia”, alerta Cury. Nos horários de pico, em que há uma grande concentração de carros nas ruas, não é recomendado fazer exercícios próximos à ruas e avenidas de grande movimento. “Porque respira maiores concentrações de poluentes”, diz.

Dependendo da concentração de poluentes do ar, a indicação é evitar transitar em locais com grande concentração de carros.

O conteúdo do www.saudecomciencia.com é informativo e educativo. Não exclui consulta com profissional habilitado.

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