3.10.16

Validade dos alimentos: O que devemos saber

A validade dos alimentos é definida sob critérios científicos; não é mágica ou escudo de proteção", diz o professor do curso de engenharia dos alimentos do Instituto Mauá de Tecnologia, Edison Tríboli.

Por isso, é fundamental que o consumidor observe o prazo que está no rótulo e que siga as recomendações do fabricante. Confira abaixo a entrevista do especialista, na qual ele tira as dúvidas relacionadas ao prazo de validade de alimentos.



Como é determinado o prazo de validade de um alimento?

Cada alimento tem sua qualidade percebida, que é uma característica do produto que o identifica. Um biscoito, por exemplo, tem a característica de ser crocante; com o tempo, no entanto, ele absorve umidade e perde a crocância. O prazo de validade, então, é uma garantia que o fabricante dá de que o alimento se mantém nos padrões toleráveis de alteração (a indústria garante que o biscoito permanecerá crocante durante aquele período) e dentro das regras que tornam seguro o consumo.


O nosso código do consumidor é diferente dos Estados Unidos. Lá, há uma categoria de produtos que podem vencer, mas podem permanecer nas prateleiras, sendo vendidos com um preço menor – a indústria reconhece que o produto não está nas melhores condições, mas ainda são seguros e o consumidor pode comprar. No Brasil isso não é permitido.

Faz mal ingerir um alimento que passou apenas um dia do prazo de validade?

Isso dependeria do produto. Mas, para o consumidor em geral, a melhor coisa a recomendar é que se obedeça à legislação; seria irresponsável da minha parte legislar sobre isso, pois poderia confundir ainda mais as pessoas, colocando em risco a sua saúde. A legislação é pensada para proteger o consumidor e é fundamental evitar o consumo quando o prazo foi ultrapassado.

Caso o alimento seja conservado na geladeira ou freezer, o seu prazo muda?

O armazenamento define muito da conservação do alimento. Em um exemplo simples: se o dono de uma loja desliga o congelador onde potes de sorvete estão armazenados, o produto perde totalmente a sua qualidade. Neste caso, o prejuízo é todo do fabricante, que é quem expõe a marca no rótulo – por isso, em muitos pontos de venda os congeladores são do fabricante, assim como os funcionários que operam as máquinas.

Um alimento foi feito para ficar em determinadas condições (temperatura, umidade, por exemplo). Se o consumidor não seguir as condições previstas no rótulo, o produto vai sofrer alterações mais rapidamente. Temos que lembrar que ali estão ocorrendo reações químicas e bioquímicas, por isso sempre que se conserva um alimento em local quente, as transformações vão ocorrer com maior velocidade – podendo aparecer bactérias se não forem seguidas as recomendações do fabricante.

O resfriamento ou congelamento retardam o processo de transformação. É praticamente impossível o crescimento de bactérias em produtos congelados (só uma, bem rara).

Como definir o tempo de validade de um alimento já preparado que foi guardado na geladeira, como um prato de arroz?

O prazo de validade vai até a abertura da embalagem. Se o alimento já está preparado, o consumidor terá que utilizar seus sentidos para perceber se o prato ainda pode ser ingerido. Normalmente, um produto com crescimento bacteriano azeda – o gosto e o cheiro estarão adulterados. Neste caso, não se deve consumir.

Cheirar a comida é uma prática de segurança: arroz tem que ter cheiro de arroz. Alterações visuais podem também ocorrer, como mudança da cor, que ocorrem às vezes no creme de leite, ou aparecimento de bolor ou mofo. Nestes casos, também não se deve consumir.

Quais são as possíveis consequências de se comer algo fora da validade?

Em produtos que devem ser mantidos congelados, o perigo é maior, pois há crescimento bacteriano se o produto é, por exemplo, aberto e esquecido na geladeira. Outros hábitos, como lamber a colher e colocá-la novamente no alimento, são caminho certo para a proliferação de bactérias.

Por isso, é muito importante seguir as recomendações de consumo que o fabricante coloca no rótulo, para que uma pessoa não consuma um molho de tomate deixado há um mês na geladeira, que já é um caldo de bactérias.



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