16.11.11

Lobotomia completa 75 anos

A Lobotomia era um método utilizado para tratar esquizofrenia e depressão e rendeu o Prêmio Nobel ao médico português Egas Moniz. O paciente ficava curado, mas completamente apático e sem condição de levar uma vida social normal.

No filme "Ilha do Medo" com Leonardo Di Caprio, a técnica é aplicada e dá para entender um pouco como a pessoa fica após o procedimento, assim como em "O Estranho no Ninho".


O que é lobotomia?

A lobotomia é realizada através de neurocirurgia. Durante a cirurgia as ligações entre os lobos frontais, ou córtex pré-frontal e o resto do cérebro eram cortadas (hoje sabemos que isso é mutilação). Assim eles conseguiriam acalmar as emoções dos pacientes e estabilizar suas personalidades sem acabar com sua inteligência e funções motoras.

O córtex pré-frontal atende várias funções complexas no cérebro, geralmente chamadas de funções executivas (tomada de decisões importantes e planejamento, raciocínio e compreensão, expressão de personalidade, criatividade e comportamento de uma forma socialmente aceitável se encaixam nessa categoria). O córtex pré-frontal é ligado a muitas outras regiões do cérebro, incluindo o tálamo, que recebe e retransmite os sinais sensoriais.

O cérebro é essencialmente composto de dois tipos diferentes de massa: cinzenta e branca. A massa cinzenta inclui os neurônios, ou células cerebrais, ao longo dos vasos sangüíneos e extensões. A massa branca compreende os axônios, ou fibras nervosas, que ligam as áreas da massa cinzenta e conduzem as mensagens entre eles através de impulsos elétricos. Então, uma lobotomia era feita para separar a massa branca entre as diferentes áreas da massa cinzenta. (Outro nome para lobotomia, leucotomia, significa "cortar o branco", em grego.)

As primeiras lobotomias foram feitas em 1935 pelos neurologistas portugueses Dr. Antonio Egas Moniz e Dr. Almeida Lima. Inicialmente, eles abriam orifícios no crânio nos dois lados do córtex pré-frontal e injetavam álcool nas fibras conectivas para destruí-las. Entretanto, esse procedimento resultou em muitas complicações, como lesão em outras partes do cérebro. Moniz, então, decidiu utilizar uma ferramenta chamada leucótomo. Depois que fazia orifícios no crânio, o médico pressionava a parte traseira da ferramenta, que estendia um arame ou anel metálico. Prolongando e, depois, retraindo o leucótomo, ele conseguia remover o centro da massa branca.

Em 1936, o neurologista e psiquiatra Dr. Walter Freeman, e seu parceiro, Dr. James Watts, começaram a realizar lobotomias nos Estados Unidos. Dez anos depois, Freeman aperfeiçoou um novo método. A técnica de Moniz, chamada lobotomia pré-frontal, exigia que o paciente tomasse anestesia geral em uma sala de cirurgia. Freeman queria descobrir uma técnica que fosse mais rápida, acessível e barata, então, decidiu chegar ao córtex pré-frontal através da cavidade ocular.

Freeman praticou primeiro em cadáveres usando um picador de gelo, o que fez o método ficar conhecido como "lobotomia com picador de gelo". Quando passou a realizar a lobotomia transorbital em pacientes, ele usou uma versão mais pesada de um leucótomo semelhante a um picador de gelo, chamado orbitoclast. Após atravessar logo acima da cavidade ocular, Freeman conseguia ter acesso ao cérebro apenas batendo de leve no orbitoclast com um martelo para perfurar a fina camada de osso. Então, ele o girava para romper as fibras. Após retirar o orbitoclast, repetia o procedimento do outro lado. A lobotomia transorbital levava 10 minutos ou menos.

Como não precisava perfurar o crânio, o paciente podia ficar inconsciente através de choque eletro convulsivo. Além disso, podia ser realizada por não-cirurgiões. Como a maioria dos hospitais psiquiátricos não possuía salas de cirurgia nem cirurgiões, esse novo método facilitou ainda mais para o paciente se submeter ao procedimento. Finalmente, Freeman realizava as lobotomias como procedimentos ambulatoriais em seu consultório e em manicômios, além de ensinar outros médicos a executá-las. [hsw]

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Leia abaixo uma citação do Estadão sobre o aniversário da lobotomia.
"Faz 75 anos que a primeira lobotomia foi feita nos Estados Unidos.

Hoje tida como uma prática bárbara, a técnica, cujo nome mais apropriado é leucotomia, chegou a ser considerada uma cura milagrosa para doenças mentais como esquizofrenia e depressão.

O procedimento envolvia a inserção de um instrumento cortante no cérebro por meio de duas perfurações no crânio, uma de cada lado da cabeça. O médico então movia o instrumento de um lado para o outro, cortando as conexões entre os lobos frontais e o resto do cérebro".

Trailer "Ilha do Medo"



Leia artigo completo cujo título não poderia ser melhor: "Lobotomia faz 75 anos: De cura milagrosa a mutilação mental" no Estadão, ou na origem da notícia: BBC Brasil

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Conteúdo do Saúde com Ciência é informativo/educativo. Não exclui consulta médica Este artigo pertence ao Saúde com Ciência. Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.

3 comentários:

  1. Esse filme é macabro demais!!!
    Mas no filme eles usam lobotomia para manipular a mente das pessoas e não para amenizar ou interromper totalmente algumas emoções ruins.
    O.o

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  2. vale frisar tbm que essa tecnica se faz presente no filme SuckerPunch

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  3. Artigo interessante. Os transtornos mentais são um problema de saúde pública mais comum do que se imagina.

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