14.5.14

Uso indiscriminado de antibióticos aumenta risco de casos de superbactéria, diz infectologista

Recordo-me de já ter escrito AQUI que o uso indiscriminado de antibióticos, ou seja, prescrever muitos antibióticos sem que haja de fato uma infecção - ou seja, com a clara pretensão de PREVENIR uma infecção - é uma prática infundada, completamente sem sentido e (pior) muito perigosa.

E não é preciso ser farmacêutico ou médico para chegar a esta conclusão. Se uma bactéria resistente a determinados antibióticos se reproduzir, gerará bactérias 'filhas' igualmente resistentes e, se você for contaminado com essa bactéria, as chances de ter menos antibióticos que combatam essas bactérias será muito alta.

Com o tempo, não haverá "quem segure" tais bactérias (usei, propositalmente, uma expressão que todo mundo é capaz de entender).


O que escrevi acima lhe parece óbvio? Infelizmente, não é assim para muitos médicos, dentistas e veterinários que continuam prescrevendo antibióticos sem necessidade.

E se alguém 'ainda' não se convenceu da minha palavra, deverá ler o um infectologista escreveu mais abaixo, após mais um comentário meu:

E quando é preciso prescrever antibióticos? A primeira observação que o médico deve fazer é verificar se há febre alta (mais de 38,5 º C), deve apalpar os linfonodos (gânglios linfáticos - as populares 'ínguas'), para ver se estão 'inchadas'. Esses dois sintomas são indicativos de infecção. Além disso, o pus pode estar presente. Se ele já se formou significa que a infecção já dura alguns dias e que seu corpo está combatendo a doença e seu corpo está ficando quente (febre)[APRENDA mais no livro "Bacteriologia Clínica".]

Contudo, em pacientes imunodeprimidos esses sintomas podem não aparecer, mas um médico bem preparado saberá avaliar se o paciente está com doenças imunodepressoras (deve perguntar isso ao paciente). Além disso, se o médico já lhe 'passou' dois tipos diferentes de antibióticos e a infecção não está cedendo, por favor, peça a ele um ANTIBIOGRAMA, não tenha vergonha de 'pedir', pois é a SUA saúde que está em jogo. Simples assim e - em 15 minutos de aula um médico já poderia aprender isso se lhe fosse ensinado nesse nosso falho e vergonhoso ensino de saúde no Brasil.

Agora sim, a publicação da Agência Brasil com o comentário do infectologista:

"O uso indiscriminado de medicamentos, sobretudo antibióticos, aumenta de forma considerável o risco de casos de superbactérias – micro-organismos resistentes à maior parte dos tratamentos disponíveis." O alerta é do diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia, Marcos Antonio Cyrillo.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que 440 mil casos de tuberculose resistente são registrados no mundo todos os anos, além de cerca de 150 mil mortes decorrentes de infecções por superbactérias.

“Não há hospital livre disso. Lógico que um hospital de grande porte e de alta complexidade ou um hospital universitário com vários leitos de UTI [unidade de terapia intensiva] e que interna pacientes com cirurgias complicadas são o tipo de lugar que pode ter mais bactérias resistentes. Mas nenhum hospital ou casa de repouso com longa permanência está livre disso”, observou Cyrillo.

Para o infectologista, o uso indiscriminado de antibióticos configura, de certa forma, um problema cultural, já que o profissional de saúde se sente mais seguro ao receitar o medicamento. “Ele (o médico) acha que está fazendo um bem para o paciente, mas vários fatores precisam ser levados em conta na hora de fazer um programa de prevenção e também de orientação para o uso de antibiótico”, reforçou.

Na tentativa de conter os casos de superbactéria no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou que a venda de antibióticos só pode ser feita com a apresentação de duas vias da receita médica. O objetivo, de acordo com a gerente de Vigilância e Monitoramento em Serviços de Saúde, Magda Machado, é restringir a automedicação, já que uma via fica retida pelo estabelecimento.

Ela lembrou que, após os casos da superbactéria KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase) registrados no país nos últimos anos, a Anvisa editou uma nota técnica que trata da identificação, prevenção e controle de infecções relacionadas a micro-organismos multirresistentes. Entre as obrigatoriedades nas unidades de saúde está a higienização das mãos por meio do uso de álcool em gel por profissionais de saúde e visitantes.

Francisca Silva, 52 anos, é representante de laboratório e tem medo de contrair qualquer tipo de infecção resistente a medicamentos. “Tomo certos cuidados com a higiene porque trabalho em hospital e, por isso, estamos suscetíveis a todo tipo de contaminação. Procuro me proteger de qualquer uma delas”, contou.

A dona de casa Andreia Queiroz da Silva, 34 anos, tem lúpus, doença que compromete o sistema imunológico, e também se preocupa em manter hábitos como lavar as mãos com água e sabão quando frequenta unidades de saúde. “Acho que está faltando informação sobre essa superbactéria. Nos hospitais, é comum vermos panfletos com orientações sobre a higienização das mãos, mas muita gente não segue.”

Cleide Teixeira, 39 anos, é enfermeira e trabalha há 19 anos na mesma unidade de saúde. Além da higienização das mãos, ela usa luvas cirúrgicas descartáveis como alternativa para se proteger e proteger os pacientes de microorganismos multirresistentes. “Nós, profissionais de saúde, estamos expostos a qualquer tipo de doenças. Temos a obrigação de evitar que os pacientes sejam contaminados”, avaliou.

Leia tudo o que já escrevi sobre o assunto antibióticos e superbactérias:
- ministro da saúde alerta sobre mesmo assunto,
- uso indiscriminado de antibióticos;
- superbactérias,
- antibióticos

Considerações

Eu, Renata Fraia - Farmacêutica, comprometo-me a, a partir de agora, divulgar este mesmo artigo, incessantemente, uma vez por mês no facebook, google plus e no twitter e se você o vir por lá e também abraçar essa causa... compartilhe! Me ajude a divulgar e a combater o uso indiscriminado de antibióticos, tema que me deixa verdadeiramente REVOLTADA desde a época em que fazia faculdade de farmácia.
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Conteúdo do Saúde com Ciência é informativo/educativo. Não exclui consulta médica Este artigo pertence ao Saúde com Ciência. Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.

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