29.6.15

Depressão: principal causa de faltas no trabalho entre pacientes com transtornos mentais

Projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que, nos próximos 20 anos, o problema sairá do quarto para o segundo lugar no ranking de doenças dispendiosas e fatais, sendo que a depressão é principal causa de faltas no trabalho.

Além da qualidade de vida, a depressão também afeta o desempenho e a produtividade do portador da doença.

Dados da Previdência Social revelam que os transtornos mentais ocupam a quarta colocação na concessão de auxílio-doença, sendo que entre os problemas mentais, a depressão é a responsável pela maioria das concessões desse benefício.

Depressão e trabalho
Depressão e trabalho/foto

Em 2011, a Previdência concedeu 169.124 auxílios-doença relacionados a doenças mentais e comportamentais; desses 77.160 foram motivados por depressão. A situação não se alterou no primeiro semestre de 2012, foram 47.221 auxílios-doença relacionados a transtornos mentais, com 17.819 ligados a episódios de depressão. Atualmente, a enfermidade atinge 15% da população mundial, ou seja, uma em cada seis pessoas desenvolverá depressão em alguma fase da vida.

Depressão é a quarta doença de maior impacto global e a OMS estima que, em 2020, será a segunda no ranking de doenças dispendiosas e fatais, perdendo apenas para as doenças cardíacas.

O impacto econômico da depressão é grande. As estatísticas americanas revelam que, apenas em 2000, os custos da doença superaram os US$ 83 bilhões nos EUA, a maior parte desse valor está relacionada aos dias parados e da perda de produtividade. Os dados de 2010, ainda em fase de publicação, relatam que os custos econômicos da Depressão atingem US$ 110 bilhões ao ano, nos EUA. Os custos diretos (consultas, medicamentos, internações) respondem por cerca de 40 % deste total e a perda de produtividade, o absenteísmo e os custos da seguridade social respondem por 60%.




“Qualquer pessoa, de qualquer faixa etária, pode ser atingida, apesar de que a prevalência é maior em mulheres. Embora seja uma doença com grande incidência em pessoas da terceira idade, os primeiros sinais do transtorno geralmente surgem entre os 20 e 50 anos, normalmente um período profissional extremamente produtivo. Assim é fundamental não subestimar o problema e procurar ajuda médica o quanto antes”, 

Explica o psiquiatra Kalil Duailibi, Professor Titular de Psicopatologia do Instituto de Psiquiatria e Psicanálise de São Paulo e Presidente do Departamento de Psiquiatria da Associação Paulista de Medicina (APM).

“É comum o paciente se sentir cansado, apresentar alterações de sono e apetite e não ter prazer nas atividades; e também apresentar dificuldade em se concentrar, de tomar decisões, fica lentificado em seu pensamento e memória, isso acaba tendo reflexos na vida pessoal e profissional. Muitas vezes a pessoa apresenta sintomas como estes e acaba sendo demitido, o que termina aumentando, ainda mais, seus sintomas depressivos. É preciso procurar um especialista, para que ele possa investigar as causas dos sintomas e indicar o melhor tratamento. E principalmente seguir as orientações médicas”, aconselha o médico.

Tratamento
A maioria dos pacientes responde positivamente ao tratamento, que pode incluir psicoterapia e antidepressivos. Um dos medicamentos mais reconhecidos no mundo é a trazodona, comercializada no Brasil como Donaren. Estudos clínicos, como Os efeitos clínicos e polissonográficos de trazodona CR em insônia crônica associada com distimia* feito na Universidade de Parma (Itália), comprovam que a trazodona melhora a qualidade do sono e diminui a ansiedade. “O tratamento não deve ser abandonado ao surgir os primeiros sinais de melhora; ele precisa ser concluído para permitir a recuperação funcional o paciente e evitar que o problema se torne crônico”, conclui.


*Outros estudos
Clinical and polysomnographic effects of trazodone CR in chronic insomnia associated with dysthymia, de Liborio Parrino, Maria Cristina Spaggiari, Mirella Roselli, Guido Di Giovanni, Mario Giovanni Terzano
Trazodone: A Review of its Pharmacological Properties and Therapeutic Use in Depression and Anxiety de R.N. Brogden, R.C. Heel, T.M. Speight and G.S. Avery
A comparative, randomized, double-b ind study of trazodone prolonged-re ease and sertraline in the treatment of major depressive disorder de C. Munizza, L. Olivieri, G. Di Loreto and P. Dionisio
A comparative, randomised, double-blind study of trazodone prolonged-release and paroxetine in the treatment of patients with major depressive disorder de S. Kasper, L. Olivieri, G. Di Loreto and P. Dionisio
Confirmation of the Neurophysiologically Predicted Therapeutic Effects of Trazodone on Its Target Symptoms Depression, Anxiety and Insomnia by Postmarketing Clinical Studies with a Controlled-Release Formulation in Depressed Outpatients de Gerda Maria Saletu-Zyhlarz Peter Anderer Oliver Arnold Bernd Saletu.

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