12.4.13

Câncer de pulmão: tratamento e prevenção

Segundo dados do Inca, o câncer de pulmão apresenta aumento de 2% por ano em incidência mundial e estimativa no Brasil (2012) foi de 27.320 novos casos


Conforme dr. Ricardo Mingarini Terra, o câncer de pulmão possui o segundo maior índice de incidência em homens e o quinto maior em mulheres.


Câncer de pulmão: tratamento e prevenção



No final do século XX, o câncer de pulmão se tornou uma das principais causas de morte evitáveis. Entretanto, é o tumor mais comum entre todos os cânceres malignos – até 2010, o número de mortes no Brasil foi de 21.867, sendo 13.677 homens e 8.190 mulheres.


“Fora o câncer de pele - que é o mais frequente nos dois gêneros -, a manifestação do tumor pulmonar em homens só fica atrás do câncer de próstata; nas mulheres, perde para os cânceres de mama, colo do útero, cólon e reto, e tiróide”, informa.

No quesito apontador de mortalidade, fica em primeiro lugar em homens e segundo em mulheres, que morrem em maior quantidade – quase cinco vezes mais – por conta do câncer de mama.

VIGILÂNCIA

A principal forma de prevenção do câncer de pulmão se dá pelo abandono do tabagismo, que deve estar sempre em pauta, já que o cigarro é a causa mais bem estabelecida em relação à neoplasia pulmonar.

“Sabe-se que o tabagismo aumenta de forma ampla a probabilidade das pessoas desenvolverem câncer ao longo da vida. É importante que não seja abordada somente a questão da cessação do hábito, mas principalmente a recomendação para que ele não se inicie.”

Atualmente – em escolas, locais frequentado por crianças e adolescentes, em especial – o governo vem implantando diversas medidas preventivas, como por exemplo, a proibição da propaganda do cigarro na mídia ou de sua associação com outros produtos que garantam trazer felicidade às pessoas; extinguindo assim a imagem do tabagismo como algo elegante, como era no passado.

“A exposição à poluição também está associada à neoplasia, entretanto de forma mais rara e amena, assim como o contato com alguns agentes ocupacionais, como, por exemplo, a radiação, que comprovadamente aumenta a incidência do câncer; e o amianto, potente carcinogênico”, alerta dr. Ricardo.

DIAGNÓSTICOS

Segundo o especialista, a grande maioria das pessoas, quando consulta um médico com queixas relacionadas à doença, já está em fase avançada. “Apenas 15% dos pacientes são diagnosticados em etapa inicial, quando a doença é tratável com intenção curativa. Os outros, infelizmente, já chegam apresentando metástase, ou seja, o tratamento principal será somente paliativo”.

O médico explica que, na tentativa de diagnosticar o câncer pulmonar de forma mais precoce, uma série de estratégias vem sendo desenvolvidas. A primeira, já utilizada nos EUA, é a realização de tomografia em pacientes tabagistas.

“A tomografia periódica serviria para avaliar a presença de nódulos no pulmão. Dentro da realidade americana, o impacto foi positivo, mas não se sabe como o método se sairia no Brasil, já que existem vários outros fatores a ser ponderados.”

Conforme dr. Ricardo, quando se faz o diagnóstico de nódulos no pulmão, apenas uma parte deles pode ser cancerígeno, pois no Brasil há diversas doenças infecciosas que podem se apresentar em forma de nódulos.

“Estudos ainda precisam ser conduzidos para ver se a ferramenta nos ajudaria de maneira efetiva ou se começaríamos a fazer diagnósticos equivocados, uma vez que o resultado pode ser fruto de cicatrizes advindas de processos infecciosos antigos.”

Outra pesquisa vem sendo feita: a detecção do câncer através de amostras de sangue e/ou saliva, que dispensaria a biópsia direta do tumor. Dr. Ricardo assegura que, apesar de inicial, especialistas da área estão confiantes de que a qualquer momento a ferramenta se mostrará útil e eficaz.

TRATAMENTOS

O câncer precoce é tratado através de cirurgia, configurada pela extração da parte do pulmão afetada pelo tumor.

“Este é o tratamento que apresenta maior chance de cura, entretanto, como já dito antes, a maioria dos pacientes é diagnosticada já na forma avançada, perdendo a oportunidade de cura”, lamenta.

Inclusive, há novidades no tratamento cirúrgico, como o uso de aparelhos e técnicas menos invasivos através de vídeo e robótica, diminuindo o trauma cirúrgico do paciente que passa por uma operação.

Para casos tardios, em que o paciente já apresenta metástase, também tem sido notada evolução. Conforme dr. Ricardo, novas drogas agirão especificamente em alguns tipos de tumor, pois hoje em dia já é possível detectar as mutações da doença.

Tais mudanças geram a alteração de algumas proteínas das células pulmonares, fazendo com que tais células se proliferem anormalmente, chegando à circulação sanguínea e provocando a metástase.

“Nós já conhecemos algumas dessas mutações e, dependendo do tipo delas, há tratamentos específicos que bloqueiam tais proteínas. É o que chamamos de terapia-alvo, pois as novas drogas tratam exclusivamente a proteína anormal que é produzida pela mutação.”

SUS

O SUS oferece amplo suporte ao diagnóstico e tratamento do câncer de pulmão, como tomografia, cirurgia e quimioterapia. Contudo, uma série de medicamentos mais modernos ainda não foi incorporada ao SUS.

Uma dificuldade para os pacientes que utilizam o SUS é o acesso ao médico pneumologista num momento em que o tratamento cirúrgico seria viável, já que muitos deles passam pelo pronto-socorro, realizam a tomografia, mas não são encaminhados diretamente ao serviço específico.

“O problema é multifatorial: tem participação do sistema de saúde, que às vezes não possui organização adequada; mas também do paciente, que não procura o especialista e acaba deixando de lado, uma vez que o tumor geralmente não apresenta sintomas”, explica dr. Ricardo.

POLÍTICAS PÚBLICAS

Conforme o cirurgião torácico, a política de saúde mais importante atualmente para o tratamento e prevenção do câncer do pulmão é a que o estado vem apresentando em relação à cessação do tabagismo, que é a política mais agressiva e detentora do melhor custo-efetividade.

“Acredito que outra direção a ser seguida é acerca da conscientização do problema, assim como temos quanto ao câncer de mama, que leva as mulheres a realizar o auto-exame. O câncer de pulmão deve ser lembrado a todo tempo, tanto por médicos quanto por pacientes.”

Assim, fumantes devem ser acompanhados por médicos pneumologistas periodicamente, pois são a população de maior risco, bem como realizar radiografias periodicamente. Resultados alterados também devem ser levados para a avaliação de especialistas o quanto antes.

“É interessante que médicos não especialistas também fiquem atentos à doença e não descartem de forma rápida a possibilidade do câncer de pulmão, já que existem outras patologias mais frequentes que geram achados radiológicos no tórax como pneumonia e tuberculose”, finaliza.

ESTATÍSTICAS

Conforme o dr. Ubiratan de Paula Santos, membro da SPPT e responsável pelos ambulatórios de Cessação de Tabagismo e de Doenças Respiratórias Ocupacionais e Ambientais da Divisão de Pneumologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, há cerca de 1,3 bilhão de fumantes no mundo e cerca de 25 milhões no Brasil.

“Os fumantes têm de 15 a 30 vezes mais risco de virem a ter câncer de pulmão, dependendo de quantos cigarros fumam, por quantos anos e quanto mais cedo começaram a fumar”, conta.

O tabagismo é responsável por 71% dos casos de câncer de pulmão; a poluição do ar ambiental, por 8%; a ocupação por cerca de 10% e a poluição intradomiciliar – queima de combustíveis para aquecimento e cocção – por cerca de 2,6%.

Fonte: Dr. Ricardo Mingarini Terra, membro da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT) e do Serviço de Cirurgia Torácica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, o câncer de pulmão possui o segundo maior índice de incidência em homens e o quinto maior em mulheres.
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Conteúdo do Saúde com Ciência é informativo/educativo. Não exclui consulta médica Este artigo pertence ao Saúde com Ciência. Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.

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