7.9.15

Vacina do Sapo Kambô

O tratamento com a vacina do sapo kambô é mais um daqueles absurdos da medicina/ciência em que, sem assepsia, nem conhecimento científico, nem tampouco qualquer estudo feito na área, inúmeras pessoas arriscam suas vidas em busca de um tratamento milagroso ou algo que "cure tudo", todos os seus males.


É bom deixar claro que a substância do sapo é, na verdade, um VENENO (espero que o grifo, o negrito e as letras maiúsculas tenham dado a ênfase necessária e deixado isso bem claro).

Vacina do Sapo Kambô
perereca Kambô (Phyllomedusa bicolor)/foto:Paulo Sérgio Bernarde

Na farmacologia, é comum se usar como base para medicamentos substâncias venenosas, que, após muitos estudos (que levam anos), poderão ou não se transformar em medicamentos, ou seja, há remédios feitos de venenos, mas não se deve usar o veneno puro, sem ter sofrido transformações bioquímicas.

Mais sobre o sapo que expele veneno de sua pele

  • Nome científico: Phyllomedusa bicolor
  • Nomes populares: Sapo Kambô, Cambô ou Kampu.
  • Anfíbio da Família Hylidae, portanto, uma perereca e não um sapo
  • Encontrado em: Amazônia brasileira e também nas Guianas, Venezuela, Colômbia, Peru e Bolívia.

Vacina do Sapo Kambô

Primeiramente, o termo vacina está incorreto, sendo apenas uma denominação popular para o tratamento.

Sabe-se que o veneno é rico em peptídeos e o animal utiliza como mecanismo de defesa, uma vez que vários predadores podem morrer ou então ter uma experiência muito desagradável ao tentar o animal.

Como os índios aplicam a vacina do sapo: retiram a secreção de coloração branca que a perereca expele ao ser molestado e a conservam em palhetas de madeira para depois realizarem a aplicação da "vacina-do-sapo".

"Queima-se com um pequeno cipó o braço da pessoa fazendo-se vários pontos, por onde o veneno retirado da palheta é aplicado em cada uma dessas pequenas queimaduras. Os sintomas são quase que imediatos, a pessoa passa por um grande desconforto (um forte calor, náuseas, dor no estômago, vômitos, etc) durante aproximadamente 15 minutos, tendo um grande alívio após a retirada com água do veneno sobre sua pele. " (http://www.herpetofauna.com.br/Kambo.htm)

Segundo estudos, foi observado que “in vitro” peptídeos isolados do veneno apresenta ação antimicrobiana contra algumas bactérias (Ex. Pseudomonas aeruginosa), protozoários (Ex. Leishmania amazonensis, Plasmodium falciparum e Trypanosoma cruzy) e até a inibição também “in vitro” da infectividade do vírus HIV.

Leia também: Dieta de Desintoxicação.

Mas para esse veneno e tantos outros serem transformados em medicamentos serão necessários mais estudos sobre esse rico potencial farmacológico dos anfíbios e também uma atenção especial das autoridades com o risco de biopirataria e ou de tráfico desses animais e de sua secreção e de impactos sobre as populações de Phyllomedusa bicolor.
Fonte:  herpetofauna.com.br Foto: Paulo Sérgio Bernarde/herpetofauna.

Vacina do Sapo Kambô vídeo:




Importante!

O Saúde com Ciência alerta que a prática da "vacina do sapo" foi proibida pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
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Conteúdo do Saúde com Ciência é informativo/educativo. Não exclui consulta médica Este artigo pertence ao Saúde com Ciência. Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.

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