14.10.16

Dúvidas sobre a desidratação em crianças e idosos

Crianças, sobretudo bebês, e também os idosos são as principais vítimas da desidratação na época de verão. O bebês, por terem maior proporção de água no organismo, a perda de líquidos e eletrólitos na infância é uma ameaça eminente para eles. Se não revertida imediatamente, a desidratação pode ser até fatal, alerta o pediatra David Elias Nisenbaum, do Hospital Infantil Sabará. Aqui, ele esclarece as principais dúvidas sobre o problema. Já nos idosos, o problema é a a pele muito fina, que facilita a desidratação por perda de água pela pele.

► Leia também: Soro caseiro: receita copo 200 ml (e para 1 litro)

Dúvidas sobre a desidratação em crianças e idosos


Dúvidas sobre a desidratação em crianças e idosos
Dúvidas sobre a desidratação em crianças e idosos

O que causa desidratação nas crianças?

A perda de líquido pelo organismo, seja por diarreia e vômitos ou pela ingestão de líquidos insuficiente.


A diarreia é a causa mais comum de desidratação em crianças?

Sim. Ela geralmente ocorre devido a infecções intestinais causadas por vírus, bactérias e intoxicação alimentar. Mas pode estar associada a outras doenças, como gastroenterite, dengue e leptospirose.


O que os pais devem fazer para prevenir a desidratação?


As crianças não costumam pedir água. Por isso, os adultos devem lhes oferecer líquidos várias vezes ao dia – sempre evitando alimentos de procedência desconhecida ou com alto nível de perecibilidade (como ovo, maionese, carnes etc), para evitar possíveis intoxicações alimentares que causam diarreia e, consequentemente, desidratação. A criança também não deve ficar exposta ao sol entre 10h e 16h, quando incidem as radiações solares mais nocivas. E, mesmo em outros horários, usando sempre protetor solar e uso de barreiras físicas (boné, guarda-sol)

Qual a melhor bebida para evitar a desidratação?


Além da água, água de coco, chás e sucos naturais são ideais. Evite refrigerantes e sucos industrializados, que são calóricos.

Quais os sintomas da desidratação?


Boca seca, pele sem elasticidade, olhos fundos, prostração, pouca urina ou intervalos longos para urinar, aprofundamento da moleira nos bebês, dores de cabeça e choro sem lágrima.

Se a criança for diagnosticada com desidratação, o que se deve fazer?


O tratamento deve ser prescrito pelo médico e consiste na reposição de líquidos e eletrólitos via oral e venosa. Mas o soro caseiro, como primeiro procedimento, é uma receita simples e eficaz: um copo de água limpa e potável de 200 ml, a ponta de uma colher de chá de sal e duas colheres rasas de açúcar. Um erro comum dos pais é suspender a alimentação durante uma crise de desidratação. As crianças devem e precisam se alimentar - mas uma dieta leve, sem alimentos gordurosos e frituras.

E quanto à desidratação dos idosos


Eles também podem ser vítimas preferenciais da desidratação. Por isso, o ideal é que eles criem o hábito de ingerir líquidos mesmo que não tenham sede. Esse é o alerta do geriatra Clóvis Cechinel. Segundo o médico, os idosos acabam não sentindo sede como os jovens e, por isso, só sentem a desidratação quando ela fica mais grave. Neles, vômitos, diarreia, o uso de diuréticos, o calor excessivo, a febre e a redução da ingestão de água, por qualquer razão, podem produzir desidratação.

De acordo com o Dr. Cechinel, no caso de idosos, para a desidratação ser considerada grave ela não precisa estar associada a grandes perdas hídricas. Basta o dia estar quente ou com baixa umidade que o idoso necessariamente vai perder mais água pela respiração e pelo suor, por conta da maior sensibilidade do organismo.

► Leia também: Soro caseiro: receita copo 200 ml (e para 1 litro)

“Se não houver reposição adequada, a desidratação é certa. A sensação de sede reduzida, o uso de medicamentos que induzem ao aumento do volume urinário, bem como a função renal diminuída e a incontinência urinária aumentam o risco de desidratação”. Ele reforça: “A ingestão de líquidos deve ser incorporada à rotina do idoso, independentemente de ele estar em casa ou não. E, vale lembrar: refrigerantes e cerveja não devem substituir a água”.

Uma sugestão de Cechinel é o idoso ter sempre uma garrafinha ou um copo de água por perto, mesmo quando não estiver em casa.

“Às vezes, a falta de ingestão de água é devida à dificuldade de segurar a urina, o que constrange muitos idosos. Mas manter o corpo hidratado deve ser a principal preocupação deles”.

O geriatra lembra que o ideal é garantir que a quantidade de líquidos ingerida seja mais ou menos igual às perdas (urina, suor, lágrimas e saliva) e em pequenas doses.

“Copos cheios de água causam uma sensação de plenitude gástrica desconfortável para o idoso. É melhor ingerir em pequenas quantidades, várias vezes ao dia. Além disso, colocar sabor na água, por meio de sucos e refrescos, é uma estratégia eficaz para conseguir ingerir a quantidade de líquidos desejada”, comenta o médico.

Diagnóstico e tratamento da desidratação





O Dr. Cechinel ressalta que na desidratação acontece uma insuficiência pré-renal, sendo recomendada a avaliação de alguns eletrólitos (sódio e potássio), bem como indicadores da função renal (ureia e creatinina), assim como exames de urina - pois a concentração da urina pode refletir o grau de hidratação do paciente.

“Um hemograma completo pode ser também solicitado se o médico achar que uma infecção subjacente está causando a desidratação. Outros exames de sangue, como testes de função hepática, podem ser indicados para encontrar as causas dos sintomas”, conta.

Em caso inicial de desidratação, o soro caseiro também pode ser utilizado por idosos. Se, mesmo tomando as medidas preventivas, não houver melhora, o médico deve ser procurado para que outras medidas sejam tomadas.
Fontes: Pediatra David Elias Nisenbaum, do Hospital Infantil Sabará | Geriatra Clóvis Cechinel
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Conteúdo do Saúde com Ciência é informativo/educativo. Não exclui consulta médica Este artigo pertence ao Saúde com Ciência. Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.

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