8.7.16

Intestino é considerado o "segundo cérebro", entenda o porquê

Intestino saudável conduz à longevidade, diz especialista.

O intestino é um órgão com um "sistema nervoso próprio", quase como um segundo cérebro, denominado sistema nervoso entérico, com cerca de 100 milhões de neurônios, segundo a farmacêutica Yasumi Ozawa Kimura*.

Intestino é considerado o "segundo cérebro", entenda o porquê
Intestino é considerado o "segundo cérebro", entenda o porquê

O intestino abriga uma população de aproximadamente 100 trilhões de microrganismos, de mais de 300 espécies, que compõem a microbiota intestinal humana, e a sua composição pode fazer a diferença entre a saúde e a doença.

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O intestino também é responsável pela produção de diversas substâncias fundamentais que atuam como neurotransmissores. Estudos recentes indicam que até 90% da serotonina, o neurotransmissor relacionado à sensação de bem-estar e felicidade, é produzida no intestino, e levam à conclusão de que, se o intestino funcionar bem, menores serão os riscos de ocorrência de depressão e ansiedade.

O intestino é tão fundamental à vida que possui um sistema nervoso próprio, denominado sistema nervoso entérico (SNE), totalmente especializado para as funções intestinais. O SNE, que começa no esôfago e termina no ânus, possui aproximadamente 100 milhões de neurônios, número próximo à quantidade de neurônios da medula espinhal, e é capaz de controlar o trato gastrointestinal mesmo se as conexões com o sistema nervoso central forem interrompidas. Esses neurônios são capazes de perceber o que há de errado no nível do intestino e se comunicarem entre si, o que pode regular os movimentos peristálticos e provocar uma série de sintomas.

O intestino é "inteligente": várias doenças podem ser associadas a ele


Graças a essa capacidade, o intestino passou a ser considerado um órgão ‘inteligente’ e, por esse motivo, tem sido classificado pelos cientistas como o ‘segundo cérebro’. Especialistas acreditam que importantes enfermidades, como doença de Crohn, retocolite ulcerativa, doença diverticular, diabetes, Parkinson, constipação, diarreia, dispepsia e síndrome do intestino irritável, entre outras, podem estar associadas a alterações neuroquímicas do sistema nervoso entérico, ou seja, há uma grande possibilidade de o intestino estar relacionado a cada uma delas de maneira muito mais importante do que se imaginava.

A Ciência já conseguiu demonstrar, por exemplo, que o intestino serve de barreira entre o exterior e o interior do organismo, e que a integridade dessa barreira é essencial para a imunidade. Aproximadamente 80% das células produtoras de anticorpos estão associadas à mucosa do intestino delgado, cuja área pode variar entre 200m² e 350m². Outros estudos confirmam que, em termos de células – linfócitos, por exemplo –, o sistema imunológico do intestino é o mais importante do organismo.

Intestino... "O segundo cérebro": Farmacêutica comenta livro de especialista
farmacêutica Yasumi Ozawa Kimura / especialista em alimentos

Diante de todas essas confirmações, os profissionais da saúde e consumidores começam a olhar de maneira diferente para a saúde intestinal. No dia a dia, há muitas formas de manter a microbiota intestinal saudável, o que envolve especialmente bons hábitos, além de boa alimentação. Evitar o fumo e as bebidas alcoólicas, manter uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e outros alimentos ricos em fibras e minerais, ingerir uma quantidade adequada de água (pelo menos oito copos) diariamente e praticar atividade física com frequência estão entre os hábitos que manterão íntegro esse importante órgão vital.

Para reforçar a saúde da microbiota intestinal também é recomendável ingerir diariamente alimentos com probióticos, como o Leite Fermentado com Lactobacillus casei Shirota, por exemplo. A Organização Mundial da Saúde (OMS), juntamente com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), definiu em 2001 que probióticos – termo que tem origem grega e significa ‘para a vida’ – são microrganismos vivos que, quando consumidos em quantidades adequadas, conferem efeitos benéficos ao hospedeiro.




As pesquisas sobre a microbiota intestinal são realizadas desde o século 19. Mas, recentemente, técnicas desenvolvidas na área da biologia molecular e da imunologia têm sido amplamente utilizadas, resultando em um rápido avanço e possibilitando que seja ampliado o escopo das pesquisas relacionadas ao órgão.

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O século 21 está sendo considerado como o século da Medicina Preventiva, pois é o momento de intensificar a procura por alternativas para prevenir o aparecimento de doenças. E as recentes pesquisas científicas com os diversos microrganismos probióticos vêm ao encontro às novas propostas da Medicina Preventiva com o fortalecimento do organismo através do intestino saudável.

Em seu livro ‘O segundo cérebro’ (Editora Campus), o professor e pesquisador Michael D. Gershon, da Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos, afirma que ‘limitar o papel do intestino à digestão seria reduzir consideravelmente a importância desse órgão’.

* Yasumi Ozawa Kimura é farmacêutica-bioquímica com especialização em Alimentos pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP (Universidade de São Paulo), com estágios de aperfeiçoamento em Tecnologia de Alimentos pelo Ministério das Relações Exteriores do Japão. Pós-graduada em Administração em Marketing pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) é consultora técnica-científica da Yakult S.A. Indústria e Comércio.
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