26.5.16

Esterco com antibiótico piora efeito estufa

Antibióticos aumentam emissão de metano do esterco de animais

Já é sabido que o gás metano contribui com o efeito estufa, o qual eleva a temperatura do planeta. Mas uma pesquisa revela que o uso de antibióticos em estercos podem liberar ainda mais metano, trazendo consequências para ambiental e saúde humana também.

Segundo um estudo publicado nesta quarta-feira (25) na revista britânica de biologia Proceedings of the Royal Society B, o esterco do gado tratado com antibióticos, emitiam mais que o dobro de metano, um gás do efeito estufa, em comparação com as fezes de vacas e bois que não tinham sido tratadas com o medicamento.

Esterco com antibióticos pioram efeito estufa

A descoberta põe em evidência mais um perigo do uso rotineiro de antibióticos na pecuária, uma prática que já criou uma onda de resistência aos medicamentos nos seres humanos.

"Os antibióticos são amplamente utilizados na pecuária para promover o crescimento e para tratar ou prevenir doenças do gado, mas eles podem ter grandes consequências para a saúde humana e ambiental", afirmam os autores no estudo.

"Nós oferecemos a primeira demonstração de que os antibióticos podem aumentar as emissões de metano do esterco", acrescenta o artigo.

Como foi o estudo com as fezes do gado?


A equipe coletou fezes de dez vacas - cinco que tinham recebido durante três dias um antibiótico comum de amplo espectro chamado tetraciclina, e cinco que não tinham recebido nenhum remédio.

Posteriormente, eles dividiram o esterco em pedaços menores, que colocaram em baldes e levaram ao campo para medir e comparar os fluxos de gases emitidos, como o dióxido de carbono, o metano e o óxido nitroso.

Os pesquisadores observaram que o tratamento com antibióticos "aumentou consistentemente as emissões de metano" em até 1,8 vezes.

Pecuária é uma importante (e preocupante) fonte de gás metano 


A pecuária é responsável por cerca de um quinto das emissões de gases de efeito estufa no planeta. O metano retém o calor solar cerca de 20 vezes mais que o dióxido de carbono, o gás de efeito estufa presente em maior quantidade na atmosfera, e corresponde a 40% das emissões agrícolas. Ele é emitido em grande parte no arroto do gado.

O arroto do gado pode ser ainda pior que o esterco


Os pesquisadores estimam que os antibióticos podem alterar a atividade microbiana no intestino do gado. Isto sugere que os antibióticos podem estar aumentando também as emissões de metano nos arrotos, que são muito maiores que as emissões no esterco.

São necessários mais estudos para quantificar a contribuição do uso de antibióticos na pecuária para o aquecimento global, segundo os pesquisadores.

Antibióticos em carnes podem gerar resistência a antibióticos em humanos


O uso rotineiro de antibióticos em animais de criação em países como os Estados Unidos é responsabilizado por contribuir para o aumento da resistência aos medicamentos em seres humanos - transformando doenças que são facilmente tratáveis em doenças potencialmente mortais.

As bactérias que adoecem os seres humanos e os animais podem desenvolver resistência quando os medicamentos são ministrados sem necessidade, por períodos curtos demais ou em doses insuficientes.

Comentário Renata Fraia (Saúde com Ciência)

Este é apenas um dos motivos que me levam a comer menos carne a cada dia, substituindo a proteína animal pela vegetal. Cuidado! Se você pensa como eu, tenha em mente que cereais (inclusive o arroz) e grãos são alimentos proteicos e para bem aproveitá-los tenha uma alimentação variada. Para consumir mais cálcio? Aposte em brócolis e leite de soja.

Complemente sua leitura com o artigo: "Usar antibióticos em animais ameaça a saúde humana, saiba por que."


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