3.10.16

Biópsia líquida: biópsia no sangue já é realidade para alguns tipos de sangue

Começa a chegar ao Brasil um tipo de exame que promete melhorar o tratamento do câncer. E a novidade não poderia ser melhor, pois o exame causa menos sofrimento já que a biópsia líquida* é simples e indolor.

O tratamento não recebeu o nome "biópsia líquida" por acaso. A razão é que basta uma coleta de sangue tradicional (como fazemos quando tiramos sangue para outros tantos exames) para diagnosticar alguns tipos de sangue.

O que é biópsia líquida?


Biópsia líquida: biópsia do sangue para alguns tipos de sangueTrata-se de uma análise molecular sofisticada do câncer. a biopsia liquida é capaz de identificar fragmentos de DNA(foto) de tumores presentes na corrente sanguínea e indicar sua presença antes mesmo destas partes de DNA ficarem visíveis nas biópsias convencionais, numa fase em que podem ser bloqueados.

A ideia não é nova -- já escrevi sobre as pesquisas sobre a biópsia líquida -- ; já vem sendo testada há alguns anos por vários laboratórios no mundo todo.

A biópsia líquida livra pacientes de procedimentos mais caros e invasivos -- as biópsias tradicionais --, que demandam internação, participação de vários profissionais e têm riscos.

Porém, a biópsia líquida indica terapias mais caras, inacessíveis para a grande maioria das pessoas com câncer.

O exame mostra ao médico que medicamento pode combater determinada mutação genética ligada ao câncer do paciente. São remédios chamados de terapias-alvo. Eles têm menos efeitos colaterais por serem específicas.

Quais as vantagens da biópsia líquida?


Este novo tipo de biópsia permite o acompanhamento do tratamento contra o câncer escolhido pelo oncologista e também o monitoramento de metástases ou a reincidência de tumores.



Segundo a médica patologista e diretora da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), Gerusa Biagione, a técnica é capaz de detectar no estágio inicial até os menores tumores malignos (câncer), a técnica permite a investigação de tumores ao rastrear geneticamente a doença devido à presença de fragmentos de DNA “soltos” na corrente sanguínea.

Não precisaremos fazer biópsia tradicional?


Não é bem assim, a *biópsia líquida não veio para substituir -- pelo menos por enquanto -- a biópsia tradicional para diagnosticar inicialmente o câncer, explica o geneticista Mariano Zalis, diretor técnico da Progenética e pioneiro na técnica no Brasil. Sua aplicação hoje é no acompanhamento do tratamento e no controle do tumor.

No entanto, nas palavras do oncologista clínico Carlos Gil, a biópsia líquida é potencialmente uma revolução tecnológica, com desdobramentos da terapia quase inexplorados.

A grande questão é que, ao revelar mutações, leva o médico à indicação de drogas específicas, muitas ainda experimentais. Esses remédios são impossíveis de pagar — comenta Gil, coordenador do grupo Neotórax e diretor institucional da Oncologia D’Or. — O Brasil, como os outros países, terá que entrar na discussão. Buscar saídas. Ou teremos um sistema de castas na saúde, em que o câncer será tratável somente para os ricos. Só quem tiver muito dinheiro viverá mais e melhor. Condição financeira não pode ser critério de sobrevida. É um cenário assustador que precisa ser debatido agora.

Quais tipos de câncer são diagnosticados e/ou controlados pela biópsia líquida?


Por enquanto, a biópsia do sangue poderá diagnosticar/controlar os seguintes tipos de sangue:


Fontes: Somatic genomic landscape of over 15,000 patients with advanced-stage cancer from clinical next-generation sequencing analysis of circulating tumor DNA (http://meetinglibrary.asco.org). / Fundação do câncer [Diagnóstico preciso para tratamento caro: biópsia líquida chega ao país] / LabNetwork [Biópsia líquida, a nova arma na luta contra o câncer].
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Conteúdo do Saúde com Ciência é informativo/educativo. Não exclui consulta médica Este artigo pertence ao Saúde com Ciência. Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.

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