29.11.16

Células-tronco de tumores no combate ao câncer


Células-tronco de tumores podem ajudar no combate ao câncer

Redação: CFF

Estudos indicam que tumores sólidos e cânceres hematológicos (como leucemia, mieloma e linfoma) têm, entre suas células, um tipo conhecido como células-tronco tumorais. Essas teriam características semelhantes às das células-tronco normais, especialmente a capacidade de originar qualquer um dos tipos de células encontradas nas diferentes formas de câncer.

Células-tronco de tumores no combate ao câncer
Células-tronco de tumores no combate ao câncer

Células-tronco tumorais (ou cancerígenas) são células que podem se dividir e originar várias células que constituem tumores. Por conta disso, representam um importante alvo de pesquisas em diversos países. Entretanto, há cientistas que discordam de sua existência e da ideia de que células-tronco normais possam originar células-tronco tumorais. Outros, mais cautelosos, preferem dizer que tais células são ainda uma hipótese.

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As células cancerígenas não são sempre iguais. Em um tumor maligno pode haver uma variedade de tipos de células e a ideia das células-tronco tumorais é que, entre as células do câncer, algumas atuem como células-tronco que se reproduzem e sustentam o câncer, de forma semelhante à que células-tronco normais se derivam em órgãos e tecidos.

Um grupo de pesquisadores da Universidad de la República (UDELAR), no Uruguai, não tem dúvidas da existência e destaca a importância de se realizar estudos com essas células.

“As células-tronco tumorais têm grande interesse clínico por estarem envolvidas na metástase e na resistência às drogas, prejudicando tratamentos como a quimioterapia”, disse Maria Ana Duhagon, professora no Laboratório de Interações Moleculares da Faculdade de Medicina da UDELAR.

Diversas terapias contra o câncer têm como base a capacidade de reduzir o tamanho de tumores, mas se elas não destroem as células-tronco tumorais, o tumor poderá crescer novamente.

Na FAPESP Week Montevideo, realizada nos dias 17 e 18 de novembro no Uruguai, Duhagon falou sobre pesquisas que seu grupo realiza com microRNAs envolvidos na diferenciação de células-tronco em câncer de próstata, a segunda causa mais frequente de morte entre homens em países como o Uruguai e Brasil.

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MicroRNAs são reguladores fundamentais da expressão gênica em plantas e animais. São ácidos ribonucleicos (RNA) não codificantes, ou seja, moléculas transcritas a partir do genoma e não traduzidas em polipeptídeos. Geralmente permanecem no núcleo da célula, atuando na regulação da expressão gênica.

“Temos desenvolvido um método para isolamento, manutenção e diferenciação de células-tronco tumorais que permite realizar análises de sensibilidade a fármacos convencionais e naturais e a identificar vias moduladoras da diferenciação. O método também tem possibilitado determinar a capacidade de metástase e caracterizar microRNAs modulados durante a diferenciação”, disse.

Segundo Duhagon, sabe-se que os microRNAs se encontram extensivamente desregulados em cânceres, o que permite o uso desses ácidos para identificar ou acompanhar o desenvolvimento da doença.

“Os microRNAs participam da manutenção do estado de diferenciação das células tumorais, sendo esta a linha de pesquisa fundamental de nosso grupo”, disse.

A pesquisadora e seu grupo identificaram microRNAs com potencial para o desenvolvimento de terapias contra o câncer de próstata. Duhagon contou que a detecção de possíveis locais de interação de um deles (hsa-miR-886-3p) com o RNA mensageiro na porção não traduzida do RNA chamada de 3’ UTRs (do inglês three prime untranslated region) permitiu a seleção de diversos genes candidatos à inibição de tumores.

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“Os RNA mensageiros desses genes diminuíram com a transferência temporária de hsa-miR-886-3p, inibindo a proliferação”, disse.

“O hsa-miR-886-3p provém de um precursor de RNA não convencional chamado vtRNA2-1, localizado em um local de relevância emergente, mas de pouca compreensão. A expressão do hsa-miR-886-3p e do vtRNA2-1, que verificamos em amostras obtidas no Uruguai e no CancerGenomeAtlas, é regulada fortemente pela metilação processo envolvido na regulação de expressão gênica de seu promotor, o que o torna um possível gene supressor de tumor em câncer de próstata”, disse.

Análises feitas pelos pesquisadores da UDELAR permitiram identificar o papel de supressor de tumor na etapa G2/M, afetando a proliferação tanto em testes in vitro como em modelos animais – G2/M, ou checagem da entrada em mitose, é uma etapa importante no ciclo celular que verifica se não há danos no DNA.

“Por meio do uso de microarrays de expressão gênica, identificamos 278 transcrições reguladas diferentemente pelo vtRNA2-1, que representam processos celulares como migração, adesão e ciclo celular”, disse. Microarray (“microarranjo”) é uma ferramenta empregada para analisar a expressão de centenas ou milhares de genes em uma amostra.

Fonte: Conselho Federal de Farmácia (CFF)
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