5.2.17

Lichia em jejum pode matar, diz estudo

Estudo associa morte de crianças na Índia com consumo de lichias

Calma, você não precisa parar de comer lichia, nem seus filhos. Entenda. Se você está pensando: "Justo as crianças que costumam adorar lichia são as mais afetadas?"

Uma pesquisa encontrou a resposta para um mistério da medicina que durou décadas: uma doença que causa convulsões, coma e até morte em crianças, está relacionada ao consumo de lichias. A doença matou centenas de crianças durante décadas em Muzaffarpa, na Índia, por causa do hábito em comer lichias ainda não maduras que elas encontram no chão das plantações. A região que concentrou o surto é responsável por 70% da colheita de lichias do país.

Lichia em jejum pode matar
Lichia em jejum pode matar

A descoberta apontou que a fruta contém uma toxina que inibe a capacidade do corpo de sintetizar a glicose

A descoberta aponta que a fruta contém altas doses de hipoglicina, uma toxina que inibe a capacidade do corpo de sintetizar a glicose. Depois que coletaram o material genético de 300 crianças afetadas, os médicos descobriram algo em comum. Muitas delas tinham um nível baixo de açúcar no sangue e por isso tinham o dobro de chance de morrer.

"Uma das coisas que ouvimos várias vezes das mães era que as crianças não jantavam direito", disse ao jornal americano The New York Times a pesquisadora Srikantiah. A hipoglicina, combinada com os estômagos vazios, era a responsável, então, pelas mortes.

A doença causa encefalopatia, uma inflamação no cérebro. Os relatos apontam que as crianças acordavam cedo, com um choro alto e agudo, e depois tinham convulsões. Em cerca de 40% dos casos, a condição misteriosa levou à morte. Na época da colheita das lichias, os surtos da doença começavam no meio de maio e paravam repentinamente até julho, quando começam as chuvas.



As indicações mais concretas da relação entre a lichia e a doença vieram em 2015. Os pesquisadores recomendaram aos habitantes da região de Muzaffarpar que alimentassem bem as crianças antes de dormir e restringissem o consumo da fruta. Em seguida, os casos diminuíram de centenas para menos de 50 por ano.

As investigações começaram em 1995. Inicialmente, os médicos não conseguiram determinar se a doença era causada por uma infecção. Depois, descobriram que as vítimas não tinham febre ou número elevado de glóbulos brancos, as células que protegem o corpo e indicam infecções.

O estudo, feito por cientistas americanos e indianos, foi publicado no jornal médico britânico The Lancet Global Health em 31/1.

Fonte: VejaDiário de Pernambuco | The Lancet global Health
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