29.3.17

Jakavi (ruxolitinibe): medicamento para Policitemia Vera

Anvisa aprova primeiro medicamento oral para tratamento de Policitemia Vera. Jakavi® (ruxolitinibe) foi aprovado com base nos estudos RESPONSE e RESPONSE-2.

Sobre o artigo e estudo: 
O estudo RESPONSE demonstrou resposta de endpoint primário composto de 20.9% com Jakavi® contra 0.9% com a melhor terapia disponível11 
77% dos pacientes randomizados para ruxolitinibe atingiram pelo menos um componente do endpoint primário, comparado com 20%do grupo que recebeu melhor terapia disponível.

São Paulo, 28 de março de 2017 - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou hoje o uso do medicamento Jakavi® (ruxolitinibe), para tratamento de pacientes com policitemia vera (PV) que são intolerantes ou resistentes à hidroxiuréia ou à terapia citorredutora de primeira linha.

Jakavi ruxolitinibe: Policitemia Vera

O medicamento já estava disponível no Brasil para o tratamento de pacientes com mielofibrose de risco intermediário ou alto, incluindo mielofibrose primária, mielofibrose pós-policitemia vera ou mielofibrose pós trombocitemia essencial.

Produzido pela farmacêutica suíça Novartis, Jakavi® representa uma nova opção terapêutica no controle dos sintomas da PV, já que a doença ainda não tem cura. Desencadeada por uma superprodução de células do sangue na medula óssea, PV tem evolução lenta e é silenciosa.

Esse aumento do número de células sanguíneas, principalmente de glóbulos vermelhos, pode conduzir a um espessamento do sangue e elevar o risco de formação de coágulos. Cerca de 30% dos pacientes têm coágulos sanguíneos1 antes do diagnóstico. Coágulos podem levar a graves problemas de saúde como infarto, derrame e embolia pulmonar.

Globalmente, PV afeta aproximadamente de uma a três pessoas em cada 100 mil anualmente e seu diagnóstico se dá por meio de exame de sangue de rotina1,3 Não se sabe as causas exatas da doença, no entanto, quase todos os pacientes (95%) apresentam uma mutação na proteína Janus Quinase 2 (JAK 2), o que pode causar uma desregulação na produção de células do sangue1.

Os sintomas mais comuns e complicações da PV podem incluir1,2: prurido (coceira na pele); falta de ar; fadiga e fraqueza; perda de peso inexplicável; dores de cabeça, distúrbios visuais e vertigem; hemorragia, manchas arroxeadas e / ou coágulos de sangue; aumento do baço; angina (dor no peito) ou insuficiência cardíaca; e inflamação dolorosa das articulações (gota).

Para o diretor médico da Novartis Oncologia no Brasil, André Abrahão, o ruxolitinibe chega para melhorar as opções de tratamento do paciente com Policitemia Vera.

“O medicamento atua significativamente no controle dos sintomas da doença e diminui o risco de complicações. Além disso, há redução significativa no risco de morte motivada por problemas cardiovasculares e de tromboses. Com isso, essa aprovação vai proporcionar aos brasileiros com PV viver mais e melhor, além de reforçar o compromisso da Novartis em prover acesso a soluções inovadoras aos pacientes”, afirma.

A aprovação pela Anvisa baseou-se nos resultados de eficácia e segurança de RESPONSE, um estudo aberto, pivotal, fase III, multi-centro, randomizado com Jakavi® (ruxolitinibe) em relação ao melhor tratamento disponível em pacientes com PV resistentes ou intolerantes à hidroxiureia.

Sobre a Policitemia Vera


PV é uma rara e incurável neoplasia desencadeada por uma superprodução de células do sangue na medula óssea. Essa abundância de células vermelhas pode conduzir a um espessamento do sangue e um aumento do risco de formação de coágulos, que podem causar graves complicações cardiovasculares, tais como acidente vascular cerebral e ataque cardíaco1.

Globalmente, PV afeta aproximadamente de uma a três pessoas em cada 100 mil anualmente. Frequentemente é descoberta durante um exame de sangue de rotina1,3. Um hemograma completo é o primeiro teste de diagnóstico usado para ajudar a detectar PV e fornece informações sobre os tipos e números de células do sangue. Especificamente, um hemograma pode medir a concentração de células vermelhas do sangue, que são as hemácias, através da avaliação do hematócrito, da hemoglobina e do número total de hemácias, que são geralmente elevados em pacientes com PV. Outros testes de diagnóstico incluem uma eritropoietina (EPO) ou biópsia da medula óssea1,4.

A contagem de hematócrito é utilizada tanto para auxiliar no diagnostico quando para um controle da resposta do paciente à terapia adotada. Pacientes de PV com hematócrito elevado têm um risco aumentado de complicações e de morte por problemas cardiovasculares, bem como de adquirir sintomas debilitantes. A fim de ajudar no controle de PV, é importante os pacientes manterem um nível de hematócrito abaixo de 45%, que é o limite do aceitável para pacientes com diagnóstico de PV.1,5

Aproximadamente 25% dos pacientes com PV desenvolvem resistência e/ou intolerância ao tratamento com hidroxiuréia e são considerados portadores de doença descontrolada. Esse quadro é tipicamente caracterizado para pacientes com níveis de hematócrito superior a 45%, contagem de glóbulos brancos elevada e/ou contagem de plaquetas elevadas, e pode ser acompanhada por sintomas debilitantes e/ou aumento do baço. Contagem de glóbulos brancos elevada e do hematócrito estão também associadas com um risco aumentado de coágulos sanguíneos.

Sobre o estudo RESPONSE:


RESPONSE (Estudo randomizado de eficácia e segurança na policitemia vera com Jakavi® (ruxolitinibe) inibidor JAK versus melhor terapia disponível) é um estudo aberto, Fase III, multi-centro, randomizado que avaliou a eficácia e segurança de Jakavi® versus a melhor terapia disponível. O ensaio randomizou 222 pacientes com PV que eram resistentes ou intolerantes à hidroxiuréia, dependente de flebotomia para controle do hematócrito e avaliação da redução do baço em 90 centros clínicos em todo o mundo. Pacientes foram randomizados na proporção de 1:1, por estratificação (com base na resistência de hidroxiuréia ou intolerância) para receber o Jakavi® (10mg duas vezes ao dia) ou a melhor terapia disponível, que foi definida pelo pesquisador, selecionando uma terapia disponível ou apenas observação. A dose foi ajustada conforme necessário ao longo do estudo, que durou 80 semanas. Jakavi® demonstrou ser superior à melhor terapia disponível no controle do hematócrito, na redução do volume esplênico, na indução de remissão hematológica completa e na melhora dos sintomas em pacientes com PV refratários ou intolerantes à hidroxiuréia. Dos pacientes randomizados para Jakavi®, 77% atingiram pelo menos um componente do desfecho primário, comparado com 20% na melhor terapia disponível. Dos 23 pacientes com resposta, 21 (91%) do grupo de Jakavi® mantiveram sua resposta na 48ª semana. Pacientes tratados com a melhor terapia disponível apresentaram maior frequência de prurido e astenia.

Sobre o estudo RESPONSE 2:


Um segundo estudo randomizado, aberto, controlado-ativo de fase IIIb (RESPONSE 2), foi conduzido em 149 pacientes com policitemia vera que foram resistentes ou intolerantes à hidroxiureia, mas sem esplenomegalia palpável. Setenta e quatro pacientes foram randomizados para o braço ruxolitinibe e 75 pacientes para o braço BAT. A dose inicial e ajustes da dose de Jakavi® e o BAT selecionado pelo investigador foram semelhantes ao estudo RESPONSE. As características demográficas basais e da doença foram comparadas entre os dois braços de tratamento e foram semelhantes a população de pacientes do estudo RESPONSE. O desfecho primário foi a proporção de pacientes que atingiram o controle de HCT (ausência de elegibilidade de flebotomia) na semana 28. O desfecho chave secundário foi a proporção de pacientes que atingiram a remissão hematológica completa na semana 28.

O estudo RESPONSE-2 cumpriu o seu objetivo primário com uma maior proporção de pacientes no braço Jakavi® (62,2%) comparado ao braço BAT (18,7%), atingindo seu desfecho primário.

Fonte: Novartis

Referências:
1. Leukemia & Lymphoma Society. “Polycythemia Vera Facts.” Available at: http://www.lls.org/content/nationalcontent/resourcecenter/freeeducationmaterials/mpd/pdf/polycythemiavera.pdf. Accessed on April 28, 2014.
2. National Heart, Lung, and Blood Institute. “What Are the Signs and Symptoms of Polycythemia Vera?” Available at: http://www.nhlbi.nih.gov/health/healthtopics/topics/poly/signs.html. Accessed on April 28, 2014.
3. Titmarsh G, Duncombe A, McMullin M, et al. How Common are Myeloproliferative Neoplasms? A Systematic Review and Meta-analysis. Am J Hematol. 2014:1-7.
4. National Heart, Lung, and Blood Institute. “How Is Polycythemia Vera Diagnosed?” Available at: http://www.nhlbi.nih.gov/health/health-topics/topics/poly/diagnosis.html. Accessed on April 28, 2014.
5. Marchioli R, Finazzi G, Specchia G, et al. The CYTO-PV: A Large Scale Trial Testing the Intensity of CYTOreductive Therapy to Prevent Cardiovascular Events in Patients with Polycythemia Vera.Thrombosis. 2011:1-9.
6. Alvarez-Larran A, Pereira A, Cervantes F, et al. Assessment and Prognostic Value of The European Leukemianet Criteria for Clinicohematologic Response, Resistance, and Intolerance to Hydroxyurea in Polycythemia Vera. Blood. 2012;119(6):1363-1369.
7. Marchioli R, Finazzi G, Specchia G, et al. Cardiovascular Events and Intensity of Treatment in Polycythemia Vera. N Engl J Med. 2013; 368:22-33.
8. Barbui T, Barosi G, Birgegard G, et al. Philadelphia-Negative Classical Myeloproliferative Neoplasms; Critical Concepts and Management Recommendations from European LeukemiaNET. J Clin Oncol. 2011;29(6):761-770.
9. Emanuel R, Dueck A, Geyer H, et al. Myeloproliferative Neoplasm (MPN) Symptom Assessment Form Total Symptom Score: Prospective International Assessment of an Abbreviated Symptom Burden Scoring System Among Patients with MPNs. J Clin Oncol. 2012;30(33):4098-4103.
10. Finazzi G and Barbui T. How I Treat Patients with Polycythemia Vera. Blood.2007; 109(12):5104-5111.
11. Alvarez-Larran A, Pereira A, Cervantes F, et al. Assessment and Prognostic Value of The European Leukemianet Criteria for Clinicohematologic Response, Resistance, and Intolerance to Hydroxyurea in Polycythemia Vera. Blood. 2012;119(6):1363-1369
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