25.8.17

Trepadeira 'Abrus pulchellus tenuiflorus' contra o HIV

A Pulchellina, uma proteína originária de Abrus pulchellus tenuiflorus – planta existente na flora brasileira -, foi capaz de combater células infectadas com o Vírus da Imunodeficiência Humana (human immunodeficiency virus – HIV), após ter sido conjugada à ação de anticorpos* usados especificamente na detecção do vírus.

Abrus pulchellus tenuiflorus HIV
Foto: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Abrus_pulchellus_flowers.JPG
Dados divulgados pelo Departamento de HIV da Organização Mundial da Saúde (World Health Organization – WHO) evidenciam que, em 2015, 36,7 milhões de pessoas viviam com HIV.

Geralmente, o vírus, que acarreta AIDS (nível avançado da infecção), pode ser transmitido a partir de relações sexuais sem uso de preservativos; uso compartilhado de seringa, agulha ou até de instrumentos cortantes não esterilizados; transfusão sanguínea; e dos processos de gestação, parto ou amamentação.



O HIV se instala nos glóbulos brancos (leucócitos), células do sistema imunológico que defendem o organismo contra doenças, infecções e outras complicações, liberando proteínas que se distribuem na membrana externa dos leucócitos para enganar o sistema de defesa, transmitindo a mensagem de que as células infectadas estão sadias.

Existem medicamentos antirretrovirais que atuam na estabilidade do sistema imunológico. Mas, com base em informações divulgadas no portal do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/AIDS e dos Hepatites Virais, o tratamento do HIV/AIDS é complexo, porque, embora aumentem a sobrevida e melhorem a qualidade de vida dos pacientes, os medicamentos que o compõem “precisam ser muito fortes para impedir a multiplicação do vírus no organismo”, podendo ocasionar efeitos colaterais, como, por exemplo, diarreia, vômitos, náuseas, manchas avermelhadas pelo corpo, agitação e insônia.

A conjugação dos anticorpos com a Pulchellina e os estudos com as células infectadas com HIV foram executados pelo doutorando do Grupo de Óptica do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), Mohammad Sadraeian, em parceria com um laboratório específico para o desenvolvimento de pesquisas com HIV, no Health Sciences Center da Louisiana State University (EUA).



Os anticorpos foram cedidos pelo NIH AIDS Research and Reference Reagent Program, enquanto a linhagem de células infectadas foi doada por Bing Chen, docente do Department of Pediatrics da Harvard Medical School (EUA). Assim que a Pulchellina foi conjugada aos anticorpos, estes a guiaram para dentro dos glóbulos brancos infectados, os combatendo pela ação tóxica da proteína.

*Anticorpo-HIV 924 anti-gp120 ou MAc 7B2 anti-gp41.

Fonte: Assessoria de Comunicação – IFSC/USP
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