12.9.17

Comida de peixes marinhos gera bactérias resistentes a antibióticos

Comida de peixe desnecessária representa um risco para a saúde pública

Se você passa por aqui com frequência, sabe que eu adoro os temas bactérias resistentes e antibióticos para combatê-las. Já escrevi vários posts sobre tais assuntos. E agora uma descoberta recente (setembro 2017) me fez voltar a escrever...

Alimentos de peixes dos oceanos geram bactérias resistentes a antibióticos


Comida de peixe bactérias resistentes a antibióticos
Comida de peixe pode gerar bactérias resistentes a antibióticos / foto: Skitterphoto

Cientistas descobriram que os genes de resistência aos antibióticos podem se transferir entre bactérias acumuladas no fundo do mar.

Isso porque o alimento para peixes utilizado na agricultura marinha no oceano aberto (fazendas marinhas) fornece um veículo para o acúmulo de bactérias com genes de resistência a antibióticos (ARGs) que ficam sedimentadas no fundo do mar.

O pesquisador Jing Wang e seus colegas da Dalian University of Technology, na China, analisaram cinco produtos de farinha de peixe - dois do Peru e um de cada um destes países: China, Rússia e Chile.

Resultado? (quantidade de bactérias encontradas?)


Eles detectaram um total de 132 tipos de bactérias resistentes a antibióticos. 😱 O uso intenso de antibióticos nos produtos para peixes estaria causando o problema.

Uma análise posterior revelou que dos cinco produtos analisados, aquele com a maior concentração de antibióticos residuais foi uma farinha de peixe vinda da Rússia. Ela continha 54 nanogramas de antibióticos por grama de alimento, embora tivesse apenas oito genes de resistência a antibióticos.

Em contrapartida, uma farinha de peixe do Peru tinha apenas 16 nanogramas de antibióticos por grama de alimento, mas apresentava cerca de 41 genes de resistência.

Como o acúmulo de ARGs no fundo do mar ocorre?


Quando a farinha de peixe com excesso de antibióticos é distribuída em fazendas de peixes marinhos, a maior parte dela se afunda no fundo do mar e introduz novas bactérias no sedimento marítimo -- que é um verdadeiro 'viveiro' para comunidades microbianas possibilitando a troca de genes.

Se as ARGs (bactérias resistentes a antibióticos) entram na cadeia alimentar através de frutos do mar contaminados, os genes podem ser transferidos para bactérias que causam doenças em seres humanos, potencialmente contribuindo para o aumento de agentes patogênicos resistentes aos fármacos atuais.

Para combater o problema, os pesquisadores dizem que a farinha de peixe deve ser rastreada para verificar a presença de ARGs durante as inspeções de segurança alimentar.

Se você achou essa informação importante, compartilhe usando as hashtags #peixe #bactériasresistentes #comidadepeixe #antibióticos #SOSOcean, #foodfish, etc. Imprima e coloque no mural da sua escola, consultório, condomínio, etc.

Fontes: Nature (https://www.nature.com/articles/d41586-017-03247-1) e The Economist (https://www.economist.com/news/science-and-technology/21728615-feeding-time-worries-antibiotic-resistance-fish-farms-passed-fish)

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Conteúdo do Saúde com Ciência é informativo/educativo. Não exclui consulta médica Este artigo pertence ao Saúde com Ciência. Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.

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