3.9.17

Surto de malária no Rio: transmissão feita de macacos para humanos é confirmada

Erradicada no sudeste e sul do País, a malária volta a preocupar...

A malária foi eliminada do sul e sudeste do Brasil há mais de 50 anos. No entanto, a partir de 2006 um número crescente de casos foram relatados na região da Mata Atlântica do estado do Rio de Janeiro e estão sendo atribuídos ao Plasmodium vivax e Plasmodium simium.

E como a espécie de parasita da malária não primária humana de P vivax Plasmodium simium é localmente enzoótica (endêmica em macacos), os episódios estão concentrados apenas na região... por enquanto!¹
Foi realizada recentemente -- por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e liderada pelo Dr. Cláudio Tadeu Daniel-Ribeiro -- uma investigação epidemiológica molecular para determinar se a transmissão da malária zoonótica estava ocorrendo.

O estudo mostra que o estado do Rio de Janeiro é o segundo foco encontrado no mundo com transmissão desse tipo de malária. O primeiro local em que o protozoário foi encontrado em humanos foi na Malásia, na Ásia.

Podemos considerar se tratar de um surto de malária no Rio de Janeiro?


O parasita Plasmodium simium, foi responsável pela infecção de 28 pessoas na região de Mata Atlântica fluminense em 2015 e 2016. Para fazer uma comparação, de 2006 a 2014, o Rio registrava média de quatro casos locais de malária por ano.


Surto de malária no Rio (P. simious)
postos vermelhos são o casos encontrados no Rio de 2015 a 2016 / Foto: Reprodução The Lancet 

Temos então um novo tipo de malária humana?


Com a descoberta, o protozoário torna-se causador do sexto tipo de malária humana. No Brasil, a doença era conhecidamente causada por três espécies do gênero Plasmodium: P. vivax, P. falciparum e P. malariae. Portanto agora, os livros de ciência deverão ser, infelizmente, acrescidos do quarto tipo possível de infcção, o P. simium.

A descoberta é histórica e de importância ímpar, pois se trata de uma nova forma de infecção da Malária transmitida por macacos e mosquitos da região. Doença que pode ser fatal!

O que diz o chefe do Laboratório de Pesquisa em Malária do Instituto Oswaldo Cruz?


O Dr. Cláudio Tadeu Daniel-Ribeiro, chefe do Laboratório de Pesquisa em Malária do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) comentou:

A partir dos dados trazidos por esse estudo, é razoável supor que uma nova modalidade de transmissão, envolvendo macacos, mosquitos prevalentes na região e um parasita diferente do P. vivax encontrado na Amazônia está causando os casos nas regiões da Mata Atlântica do Rio de Janeiro e, possivelmente, em outros estados”.

O que se acreditava sobre o parasita P. simium até agora?


Até o momento análises indicavam uma maior semelhança entre os parasitas fluminenses e as descrições anteriores do P. simium na literatura científica.

Não é possível, ainda, determinar se o parasita desenvolveu a capacidade de infectar seres humanos recentemente ou se a malária zoonótica já nos infectava no local antes da eliminação da doença na região (há mais de 50 anos).

Para se ter uma ideia da real ameaça apresentada pelo P. simium será necessário aprofundar os estudos, informou o pesquisador.

Quais são as novidades sobre a malária?


Até agora, sabia que a malária era transmitida pelo mosquito Anopheles, que transmitia os protozoários (reais causadores da doença, mas que "moram" no corpo do mosquito até no momento de o indivíduo ser picado por ele).

No início desse ano (2017) a prestigiada publicação Nature divulgou que que uma vacina contra malária alcançou 100% de eficácia em humanos, principalmente nos infectados pelos parasitas Plasmodium vivax e Plasmodium faliparum (que causa a forma mais letal* da doença).

*letal: que causa mais mortes.

Quais são os transmissores desse "novo" tipo de malária?


¹Análise de mais amostras de humanos, primatas e mosquitos deve determinar a área de circulação do parasita. O pesquisador explicou que também será preciso investigar se a transmissão do ocorre apenas a partir dos macacos ou se as pessoas doentes podem apresentar quantidade suficiente desses protozoários no sangue para infectar mosquitos durante a picada e, consequentemente, os insetos contaminarem outras pessoas.

Aguardemos novos estudos!

Pesquisa e Redação: Dra. Renata Fraia - Farmacêutica

Fontes sobre o surto de malária no Rio:
-- The Lancet (http://www.thelancet.com/journals/langlo/article/PIIS2214-109X(17)30333-9/fulltext)
-- Nature (https://www.nature.com/nature/journal/v526/n7572/full/nature15535.html)


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Conteúdo do Saúde com Ciência é informativo/educativo. Não exclui consulta médica Este artigo pertence ao Saúde com Ciência. Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.

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