27.11.17

Sal em excesso de sal prejudica a flora intestinal, diz estudo

Pesquisa alemã revela que sal em excesso diminui diversidade de bactérias da flora intestinal, e os micro-organismos ligados ao sistema imunológico são os mais afetados

O consumo de sal em excesso é relacionado à hipertensão - levando às doenças cardíacas - e ao acúmulo de líquidos no organismo. Mas agora um estudo revela mais um malefício relacionado ao sal usado excessivamente, a destruição de parte da flora intestinal relacionada ao sistema de defesa do nosso corpo, o sistema imunológico.

Sal em excesso de sal prejudica a flora intestinal, diz estudo

Em experimentos com ratos, uma equipe de cientistas do Centro Max-Delbrück de Medicina Molecular, liderados por  identificaram que uma dieta rica em sódio não só reduz a quantidade de bactérias na microbiota, como propicia o surgimento de doença inflamatória e cardiovascular. Os achados foram publicados na última edição da revista britânica Nature.




Como foi o estudo sobre como o excesso de sal afeta a flora intestinal?


Primeira etapa


Os investigadores colheram e analisaram as amostras de fezes das cobaias diariamente, durante três semanas. A partir do 14º dia, descobriram redução significativa de espécies microbianas (benéficas) na flora de roedores alimentados com sal em excesso.

Com técnicas de sequenciamento de DNA e análises computacionais eles identificaram as bactérias Lactobacillus murinus, do gênero Lactobacillus, como o grupo mais atingido. “Como esse grupo de bactérias também é conhecido por afetar o sistema imunológico, resolvemos nos aprofundar nele e desvendar os detalhes envolvidos em sua redução”, relata Muller.




Segunda etapa


Dessa vez foi observado que a administração de Lactobacillus murinus aos camundongos afetados (por terem recebido mais sal) reduziu a quantidade de células TH17, que são relacionadas à hipertensão, e impediu o agravamento de encefalomielite autoimune experimental, um modelo de inflamação do cérebro relacionada ao excesso de sal. “Curiosamente, descobrimos que o Lactobacillus atuou como um tipo de inibidor de TH17 em camundongos, algo que nos surpreendeu bastante”, diz o líder do estudo.

Terceira fase


Na terceira fase da pesquisa, a equipe contou com a participação de um pequeno grupo de seres humanos nas intervenções. Os investigadores descobriram que o aumento da ingestão de sal reduziu a sobrevivência intestinal de múltiplas espécies de Lactobacillus, aumentou a quantidade de células TH17 e a pressão arterial.




Apesar de otimistas com os resultados, os cientistas acreditam que mais estudos com humanos são necessários a fim de comprovar a relação das bactérias Lactobacillus murinus com os problemas inflamatórios e cardiovascular.

 “Precisamos analisar um número maior de pacientes para confirmar essa suspeita, esse é um dos nossos planos. Realizaremos ensaios clínicos maiores, controlados com placebo, que analisarão o efeito de bactérias do gênero Lactobacillus sobre a pressão arterial e a polarização com as células TH17”. “Essa função imunomoduladora pode ser interessante para tratar doenças inflamatórias, o que poderá trazer ganhos na área médica”, complementa o cientista.

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