26.3.17

Quantas bactérias tem no intestino?

Se a curiosidade move o mundo, com a saúde não é diferente. Você sabe quantas bactérias tem no intestino?

Vou matar sua curiosidade e ainda te deixar perplexo, não apenas com a quantidade de bactérias no intestino humano quanto qual é o peso dessas bactérias.

Quantas bactérias tem no intestino?
Quantas bactérias tem no intestino?

- Quantidade de Bactérias no intestino


O número destes serem microscópicos do intestino chega a 11 trilhões de bactérias.


- Peso das bactérias do intestino


Quantas bactérias tem no intestino?


O peso do total de bactérias intestinais é de aproximadamente 1,5 kg, ou seja, temos um quilo e meio de bactérias no nosso intestino.

Desse total de bactérias intestinais muitas são benéficas à nossa saúde enquanto outras podem fazer mal e algumas muito mal, sobretudo se caírem na corrente sanguínea.




O ideal é que cerca de 70% das bactérias presentes no intestino sejam benéficas, as chamadas probióticas e que os 30% restantes sejam as menos benéficas como a famosa E. Coli, que podem matar em poucas horas um indivíduo acometido de septicemia.

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1.3.17

Lista de bactérias OMS: novos antibióticos URGENTE!

OMS publica lista de bactérias para as quais se necessitam novos antibióticos urgentemente

A Organização Mundial da Saúde publicou nesta segunda-feira (27) sua primeira lista de “agentes patogênicos prioritários” resistentes aos antibióticos – um catálogo de 12 famílias de bactérias que representam a maior ameaça para a saúde humana.

A lista de bactérias OMS foi elaborada numa tentativa de orientar e promover a pesquisa e desenvolvimento (P&D) de novos antibióticos, como parte dos esforços da OMS para enfrentar a crescente resistência global aos medicamentos antimicrobianos.

Lista de bactérias OMS: novos antibióticos

A lista destaca, em particular, a ameaça de bactérias gram-negativas resistentes a múltiplos antibióticos. Essas bactérias têm capacidades inatas de encontrar novas formas de resistir ao tratamento e podem transmitir material genético que permite a outras bactérias se tornarem também resistentes aos fármacos.

“A resistência aos antibióticos está crescendo, e estamos ficando sem opções de tratamento. Se deixarmos as forças do mercado sozinhas, os novos antibióticos que precisamos mais urgentemente não serão desenvolvidos a tempo”, diz Marie-Paule Kieny, subdiretora-geral da OMS para Sistemas de Saúde e Inovação.

Lista de bactérias OMS


A lista da OMS é dividida em três categorias de acordo com a urgência em que se necessitam novos antibióticos: prioridade crítica, alta ou média.

O grupo mais crítico de todos inclui bactérias multirresistentes, que são particularmente perigosas em:

  • hospitais, 
  • casas de repouso 
  • pacientes cujos cuidados exigem dispositivos como ventiladores e cateteres intravenosos. 

Entre estas, estão as bactérias:

  • Acinetobacter, 
  • Pseudomonas e 
  • várias Enterobacteriaceae (incluindo Klebsiella, E. coli, Serratia e Proteus). 

São bactérias que podem causar infecções graves e frequentemente mortais [leia: Septicemia o que é e quais os sintomas], como infecções da corrente sanguínea e pneumonia.

Essas bactérias tornaram-se resistentes [leia: Micro-organismos multirresistentes: o quê são] a um grande número de antibióticos, incluindo carbapenemas e cefalosporinas de terceira geração – os melhores antibióticos disponíveis para tratamento de bactérias multirresistentes.

O segundo e terceiro nível da lista – as categorias de prioridade alta e média – contêm outras bactérias que são cada vez mais resistentes aos fármacos e provocam doenças comuns, como gonorreia ou intoxicação alimentar causada por salmonela.

Especialistas em saúde do G20 vão se reunir nesta semana em Berlim. Segundo o ministro Federal da Saúde da Alemanha, Hermann Gröhe, “Precisamos de antibióticos eficazes para os nossos sistemas de saúde. Precisamos agir juntos hoje para um amanhã mais saudável. Por isso, vamos discutir e chamar a atenção do G20 para a luta contra a resistência aos antimicrobianos. A primeira lista mundial de agentes patogênicos prioritários da OMS é uma nova e importante ferramenta para assegurar e orientar a pesquisa e o desenvolvimento relacionados aos novos antibióticos”.

A lista busca incentivar os governos a implementar políticas de incentivo à ciência básica e a P&D avançada, tanto por meio de agências financiadas pelo setor público quanto pelo setor privado, que invistam no descobrimento de novos antibióticos. O objetivo também é orientar novas iniciativas de P&D, como a Aliança mundial de P&D para antibióticos OMS/DNDi (Drugs for Neglected Diseases Initiative), que está comprometida com o desenvolvimento sem fins lucrativos de novos antibióticos.

➤ Leia também: Superbactérias com gene mcr-1: Anvisa faz alerta importante!

A tuberculose – cuja resistência ao tratamento tradicional vem crescendo nos últimos anos – não foi incluída na lista porque é alvo de outros programas específicos. Outras bactérias que não foram incluídas, como estreptococos A e B e clamídia, têm baixos níveis de resistência aos tratamentos existentes e não representam atualmente uma ameaça significativa para a saúde pública.

Como a lista de bactérias da OMS foi desenvolvida


A lista foi desenvolvida em colaboração com a Divisão de Doenças Infecciosas da Universidade de Tübingen, na Alemanha, mediante uma técnica de análise de decisão multicritério aprovada por um grupo de especialistas internacionais.

➤ Leia também: Antibiograma o que é e para que serve esse exame

Os critérios para a seleção de agentes patogênicos na lista foram os seguintes:

  1. o nível de letalidade das infecções que provocam; 
  2. se o seu tratamento requer longas internações hospitalares; 
  3. com que frequência apresentam resistência aos antibióticos existentes quando infectam as pessoas em comunidades; 
  4. a facilidade para se espalhar entre os animais, dos animais aos seres humanos, e de pessoa para pessoa; 
  5. se as infecções que provocam podem ser prevenidas (por exemplo, por meio de uma boa higiene e vacinação); 
  6. quantas opções de tratamento permanecem; 
  7. e se novos antibióticos para tratar as infecções que causam já estão sendo pesquisados e desenvolvidos.

“Os novos antibióticos que visam esta lista de patógenos prioritários ajudarão a reduzir as mortes devido a infecções resistentes em todo o mundo”;

Diz a professora Evelina Tacconelli, chefe da Divisão de Doenças Infecciosas da Universidade de Tübingen e uma das principais contribuidoras para o desenvolvimento da lista. “Esperar mais causará problemas adicionais de saúde pública e impactará enormemente na atenção aos pacientes”.

➤ Leia também:Doxiciclina para Parkinson: Antibiótico para espinhas graves pode tratar a doença, diz estudo

Embora aumentar a P&D seja essencial, essa ação isolada não basta para resolver o problema. Para lutar contra a resistência aos antibióticos, também deve haver melhor prevenção de infecções e uso adequado de antibióticos existentes em seres humanos e animais, bem como uso racional de quaisquer novos antibióticos que sejam desenvolvidos no futuro.

Lista de agentes patogênicos prioritários da OMS para a P&D de novos antibióticos


Prioridade 1: CRÍTICA


  • Acinetobacter baumannii, resistente a carbapenema
  • Pseudomonas aeruginosa, resistente a carbapenema
  • Enterobacteriaceae, resistente a carbapenema, produtoras de ESBL

➤ Leia também: Usar antibióticos em animais ameaça a saúde humana, saiba por que

Prioridade 2: ALTA


  • Enterococcus faecium, resistente à vancomicina
  • Staphylococcus aureus, resistente à meticilina, com sensibilidade intermediária e resistência à vancomicina
  • Helicobacter pylori, resistente à claritromicina
  • Campylobacter spp., resistente às fluoroquinolonas
  • Salmonellae, resistentes às fluoroquinolonas
  • Neisseria gonorrhoeae, resistente a cefalosporina, resistente às fluoroquinolonas

Prioridade 3: MÉDIA


  • Streptococcus pneumoniae, sem sensibilidade à penicilina
  • Haemophilus influenzae, resistente à ampicilina
  • Shigella spp., resistente às fluoroquinolonas

➤ Complemente sua leitura com o artigo: Abuso de antibióticos leva ao aparecimento de superbactérias.

Fonte: OMS

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14.1.17

Bactérias que vivem na geladeira e estragam os alimentos

Todos sabemos que as bactérias, esses seres tão microscópicos quanto nocivos (embora muitos sejam benéficos à saúde) que coabitam o planeta Terra conosco gostam, em sua maioria, de ambientes 'mornos' para se desenvolverem.

Então, na alimentação, por exemplo, sabemos que manter os alimentos aquecidos a temperaturas que atinjam ao menos 60º C, podem evitar que muitas dessas bactérias se proliferem.

Da mesma forma manter os alimentos na geladeira ou no freezer faz com que a temperatura fique mais baixa evitando que as bactérias que possam existir na comida se multipliquem.

Bactérias que vivem na geladeira e estragam os alimentos


No entanto, há algumas delas que têm hábitos diferentes, são as bactérias resistentes, como as bactérias que suportam baixas temperaturas e, assim, podem sobreviver mesmo dentro de nossa geladeira e, até, do freezer, que atinge temperaturas ainda mais baixas, em torno de 18ºC negativos.

A principal dessas bactérias que vivem na geladeira é a Listeria monocytógenes. Essa listéria habita nossa geladeira e pode ficar nas paredes internas da mesma, nos líquidos e também nos alimentos. Mesmo as geladeiras limpas podem conter tais microrganismos. Porém, se a geladeira estiver suja por dentro e/ou ficar muito tempo sem ser limpa, a chance de ter muitas bactérias listeria monocytógenes é, proporcionalmente maior.

A doença causada pela listeria monocytógenes é a listeriose.

Além de bactérias, alguns fungos também podem viver dentro da geladeira (aquela mancha preta que fica na borracha da porta) é causada por fungos.

Portanto, limpre com frequência sua geladeira e sempre armazene os alimentos tampados.



COMO LIMPAR A GELADEIRA


foto: Flickr.

1. Semanalmente: Um pano úmido com detergente neutro é suficiente, mas não precisa exagerar na quantidade de detergente,

1. De dois em dois meses: Use uma solução de água morna com bicarbonato de sódio, na proporção de 500 ml de água para 2 colheres de sopa de bicarbonato de sódio.

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1.10.16

Superbactérias com gene mcr-1: Anvisa faz alerta importante!

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgará na próxima semana um alerta sobre a confirmação da presença no Brasil de bactérias portadoras do gene mcr-1, capaz de tornar as bactérias imunes até à Colistina, a classe de antibióticos considerada como a última arma para combater bactérias multirresistentes.

O comunicado de risco será encaminhado para todos os hospitais com leitos de unidade de terapia intensiva.


No documento, a Anvisa reforça a necessidade de equipes de saúde ficarem atentas sobre o risco, lista quais medidas são necessárias para diagnóstico e quais providências devem ser adotadas no caso de confirmação da presença de bactérias portadoras desse gene.

Foram confirmados no Brasil até o momento três pacientes infectados pela bactéria Escherichia coli, portadora da mutação. Dois casos em São Paulo e um no Rio Grande do Norte. Há ainda outros três casos em análise, no Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo.

“Estamos preocupados. Uma das últimas armas que temos para combater infecções multirresistentes pode tornar-se também inútil”, afirmou a gerente da área de Vigilância e Monitoramento da Anvisa, Magda Machado de Miranda. “Ficaríamos sem opção terapêutica”, completou. Magda aponta ainda outro risco envolvendo o gene mcr-1. “Seu poder de transmissão é muito alto. Há possibilidade de ele se transferir de uma espécie bacteriana para outra.”

O coordenador de Controle de Doenças da Secretaria de Saúde de São Paulo, Marcos Boulos, afirmou que, entre os casos confirmados no estado, um ocorreu no Hospital das Clínicas, em março. “O achado é muito importante. É preciso agora reforçar o alerta para que profissionais e instituições redobrem os cuidados para identificação de controle de casos suspeitos”, completou.

Sobre o gene mcr-1

O gene mcr-1 foi descoberto na China. Países da Europa, África e Ásia já confirmaram a presença de bactérias com essa mutação.

“O gene, não significa, por si só, que a bactéria será multirresistente”, explicou o gerente de tecnologia e serviços de saúde, Diogo Soares. Ele compara o gene mcr-1 a uma armadura, que pode ser usada para proteger a bactéria do ataque de antibióticos. “A ferramenta está disponível. Basta agora que a bactéria faça uso da nova proteção.”
Quer entender como o abuso de antibiótico faz as bactérias ficarem multirresistentes? Leia o artigo: Abuso de antibióticos leva ao aparecimento de superbactérias.
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10.11.15

Manipulação da microbiota intestinal; transplante fecal; bactérias para adultos e medicina personalizada

Novas tecnologias permitem sequenciamento de bactérias presentes no intestino de centenas pessoas; estudos sugerem que dieta muito industrializada é capaz de modificar os padrões de microbiota.

Foi muito difícil escolher um título para esse post. Por isso ele pode ter ficado estranho, mas decidi que ficaria assim mesmo e destacando a importância dos temas que serão discutidos no texto:

  1. manipulação da microbiota intestinal; 
  2. transplante fecal; 
  3. bactérias para adultos; 
  4. medicina personalizada


A manipulação da microbiota intestinal é um tema relativamente novo na academia, mas sua interface com a alimentação e a saúde leva a crer que esse campo de estudo pode ser uma ferramenta valiosa para a viabilização de tendências como, por exemplo, a personalização da medicina. Novas pesquisas sugerem diversas formas de manejo da microbiota, desde o uso de pré e probióticos, até a manipulação da dieta e o transplante de bactérias presentes nas fezes humanas.

Manipulação da microbiota intestinal; transplante fecal; bactérias para adultos e medicina personalizada
Manipulação da microbiota intestinal

"Um dos interesses da comunidade científica é essa interface entre dieta e microbiota, porque a modulação da dieta seria um ponto de acesso bem fácil e com menos efeitos colaterais do que a administração de medicamentos ou afins", afirma Chris Hoffmann, pesquisador do FoRC e professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP.

Segundo ele, é sabido que existe um padrão de relação entre dieta e microbioma, a longo prazo.

"Esse efeito dos hábitos alimentares da pessoa a longo prazo é muito mais forte do que o efeito daquilo que ela comeu 'ontem'. O que ela ingeriu ontem tem um impacto momentâneo. Mas como tudo no corpo humano tende a buscar a homeostase, a tendência é uma volta ao equilíbrio", diz ele.

Hoffmann explica que ao menos dois padrões de alimentação estão claramente conectados com microbiomas intestinais distintos: a dieta rica em carboidratos e a dieta rica em proteínas de origem animal.

"Nós sabemos, por exemplo, que uma dieta com muita carne vermelha rica em gordura dá propensão a arteriosclerose, risco cardiovascular, aumenta o colesterol. Entretanto ainda existiam algumas lacunas em como tais dietas causavam estas doenças. Agora, algumas dessas lacunas estão sendo preenchidas por esse link do microbioma intestinal", resume.

A ascensão do tema coincidiu com o surgimento de novas tecnologias de sequenciamento de DNA, mais baratas e rápidas.  "O desenvolvimento de novas tecnologias de sequenciamento permitiu estudos com centenas de pessoas ao mesmo tempo, sequenciando milhares de bactérias dessas pessoas. E com esses grandes estudos alguns padrões emergiram", esclarece Hoffmann.

Segundo ele, uma pessoa normal tem uma composição definida de microorganismos.

"A gente sabe, de maneira geral, quais os microorganismos que devem povoar o intestino grosso.Estudos indicam que a dieta mais industrializada está modificando a microbiota. Nos EUA e Europa, onde as dietas são muito manipuladas, percebemos que o padrão da microbiota não é o mesmo, se comparado a locais na América do Sul e África, onde a dieta não é tão processada."

► Leia também: Quantas bactérias tem no intestino?

Formas de manipulação da microbiota intestinal


- De acordo com Hoffmann, a manipulação da microbiota pode se dar por diversos acessos. Um deles é o uso de probióticos, algo que já se faz há algum tempo.

"O que há de novo é que a próxima geração de probióticos que chegará ao mercado é completamente distinta do que já existe. O que temos hoje são produtos que, muitas vezes, levam em consideração grupos bacterianos que a gente não tem como adulto no nosso intestino. Fazem efeito? Em algumas pessoas sim, em outras não. Um bom exemplo são as bifidobactérias, presentes nos probióticos mais famosos que conhecemos. As crianças as têm, mas os adultos geralmente têm poucas."

Foco nas bactérias benéficas aos adultos


Segundo ele, hoje em dia os cientistas estão re-isolando bactérias e tentando encontrar aquelas que são realmente interessantes para um adulto. A outra ideia é utilizar os prebióticos."Em vez de alimentar as pessoas com as bactérias, a ideia aqui é alimentar as bactérias que estão precisando ser incentivadas, com compostos criados exclusivamente para isso. É outra via de manipulação de microbiota", aponta Hoffmann.

► Antibiograma o que é e para que serve esse exame.

Transplante fecal


O transplante fecal é mais uma ferramenta, utilizada para repovoar o intestino com as bactérias que deveriam estar lá e que, por algum motivo, perderam espaço para um patógeno qualquer.




"Isso está sendo muito usado para tratar pessoas que pegam infecção hospitalar. São bactérias super resistentes, agressivas, imunes à última linha de antibióticos. A pessoa vai morrer de sepsis, o que é medieval. Elas destroem a mucosa intestinal, a impermeabilidade, podem passar para a corrente sanguínea...  Reintroduzir as bactérias que não estavam mais ali pode fazer com que o organismo pare de reconhecer simplesmente o patógeno".

Mas é preciso cautela:

Hoffmann explica que, geralmente, o procedimento só é usado quando nada mais funcionou. "Porque há um risco, a gente não sabe exatamente o que está lá dentro, pode haver, por exemplo, um vírus que não se conseguiu detectar...". Segundo ele, já existem empresas trabalhando para criar uma comunidade padronizada de bactérias, isoladas e sequenciadas, e que teriam os mesmos efeitos do transplante.


"Uma grande tendência hoje é a chamada personalização da medicina. Com o acesso ao genoma humano, a gente sabe qual é a fisiologia básica. Mas existem condições e características que são bem específicas de cada pessoa, ou grupo. A personalização da medicina tem de levar em conta toda a fisiologia do organismo e o estudo da microbiota intestinal certamente poderá contribuir para isso."
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1.9.15

Antibiograma o que é e para que serve esse exame

ANTIBIOGRAMA é uma palavra usada para denominar um exame laboratorial de urocultura ou cultura com posterior uso de antibióticos.

Veremos tudo sobre esse exame sob a forma de perguntas e respostas para facilitar o entendimento.
Antibiograma o que é e para que serve esse exame

1 - ANTIBIOGRAMA O QUE É?


Antibiograma é um exame de laboratório que é solicitado pelo médico quando ele não tem certeza de qual é a bactéria que está deixando você doente, em caso de infecção por bactérias, obviamente. É feito uma cultura ou urocultura de bactérias e posteriormente o antibiograma propriamente dito.

2 - ANTIBIOGRAMA PARA QUE SERVE?


Esse exame identifica com precisão qual é a bactéria que é a agente causadora da infecção do paciente.

►► Leia também: Septicemia: o que é e quais os sintomas.


3 - QUANDO O MÉDICO DEVE SOLICITAR O ANTIBIOGRAMA?


Em muitos casos apenas a avaliação clínica de um médico experiente já é capaz de avaliar o tipo de antibiótico (antimicrobiano) que será eficaz no tratamento de determinada infecção bacteriana, com base na anamnese (saiba o que é anamnese) e análise clínica do paciente.

Contudo, às vezes um médico prescreve um antibiótico e a infecção não cessa, ele então, pode optar em "tentar empiricamente" um outro tipo de antibiótico ou optar por já pedir o exame antibiograma.


4 - COMO É FEITO O ANTIBIOGRAMA?


No laboratório é feita a coleta de material biológico proveniente da lesão. O material coletado pode ser uma amostra de sangue, catarro (escarro), secreções corpóreas, saliva, fezes, urina (antibiograma urocultura é o antibiograma da urina), entre outros materiais.


4.1 - A cultura das bactérias

Após a coleta do material, este é cultivado em placas de petri (FOTO 1) em um meio propício (um meio nutritivo e em temperatura ótima para o desenvolvimento microbiano, como explica a microbiologia) tanto para o crescimento quanto para a multiplicação dos microrganismos.

Esses microrganismos irão formar colônias no meio de cultura (FOTO 2) quando forem usadas secreções ou urocultura ou urinocultura quando for cultura de urina.

Antibiograma o que é e para que serve esse exame
FOTO 1 (placa de petri recebendo material para cultura)

Após dois dias (aproximadamente 48 horas) do início da cultura as colônias de bactérias já estarão formadas (FOTO 2) e o examinador no laboratório (com laudo de biomédico ou farmacêutico bioquímico) irá ver o número de colônias formadas e depois passa a analisar em quais antibióticos esses germes serão sensíveis e resistentes e na presença de quais antibióticos eles irão morrer. [Leia mais no livro "Bacteriologia Clínica"].


4.2 - O antibiograma propriamente dito

Antibiograma o que é e para que serve esse exame
FOTO 2 (placa de Petri já com a cultura formada; repleta de colônias de micro-organismos)

A partir deste momento, estes microrganismos serão isolados e submetidos, in vitro (na placa de petri), à ação de vários tipos de antibióticos. Destes antibióticos ou antimicrobianos, os que conseguirem combater (matar) as bactérias serão os medicamentos mais eficazes para combater as bactérias que infectaram ESTE paciente.



Agora que você sabe o que é antibiograma poderá pedir a um médico que o solicite caso o primeiro antibiótico que ele receitou a você não estiver fazendo efeito. O ideal seria que antes de prescrever qualquer antibiótico seja feito o antibiograma; no entanto, às vezes não há esse tempo (no caso de infecções graves), mas nada impede que enquanto você se trate da infecção, o antibiograma seja feito ao mesmo tempo.

Esperamos que o artigo sobre antibiograma tenha sido esclarecedor. E para quem deseja se aprofundar no assunto, recomendamos a leitura do livro: "DE ROBERTIS BIOLOGIA CELULAR E MOLECULAR"
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Informações e texto de Renata Fraia (farmacêutica / jornalista / blogueira / diretora deste blog-site)

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14.5.14

Uso indiscriminado de antibióticos aumenta risco de casos de superbactéria, diz infectologista

Recordo-me de já ter escrito AQUI que o uso indiscriminado de antibióticos, ou seja, prescrever muitos antibióticos sem que haja de fato uma infecção - ou seja, com a clara pretensão de PREVENIR uma infecção - é uma prática infundada, completamente sem sentido e (pior) muito perigosa.

E não é preciso ser farmacêutico ou médico para chegar a esta conclusão. Se uma bactéria resistente a determinados antibióticos se reproduzir, gerará bactérias 'filhas' igualmente resistentes e, se você for contaminado com essa bactéria, as chances de ter menos antibióticos que combatam essas bactérias será muito alta.

Com o tempo, não haverá "quem segure" tais bactérias (usei, propositalmente, uma expressão que todo mundo é capaz de entender).


O que escrevi acima lhe parece óbvio? Infelizmente, não é assim para muitos médicos, dentistas e veterinários que continuam prescrevendo antibióticos sem necessidade.

E se alguém 'ainda' não se convenceu da minha palavra, deverá ler o um infectologista escreveu mais abaixo, após mais um comentário meu:

E quando é preciso prescrever antibióticos? A primeira observação que o médico deve fazer é verificar se há febre alta (mais de 38,5 º C), deve apalpar os linfonodos (gânglios linfáticos - as populares 'ínguas'), para ver se estão 'inchadas'. Esses dois sintomas são indicativos de infecção. Além disso, o pus pode estar presente. Se ele já se formou significa que a infecção já dura alguns dias e que seu corpo está combatendo a doença e seu corpo está ficando quente (febre)[APRENDA mais no livro "Bacteriologia Clínica".]

Contudo, em pacientes imunodeprimidos esses sintomas podem não aparecer, mas um médico bem preparado saberá avaliar se o paciente está com doenças imunodepressoras (deve perguntar isso ao paciente). Além disso, se o médico já lhe 'passou' dois tipos diferentes de antibióticos e a infecção não está cedendo, por favor, peça a ele um ANTIBIOGRAMA, não tenha vergonha de 'pedir', pois é a SUA saúde que está em jogo. Simples assim e - em 15 minutos de aula um médico já poderia aprender isso se lhe fosse ensinado nesse nosso falho e vergonhoso ensino de saúde no Brasil.

Agora sim, a publicação da Agência Brasil com o comentário do infectologista:

"O uso indiscriminado de medicamentos, sobretudo antibióticos, aumenta de forma considerável o risco de casos de superbactérias – micro-organismos resistentes à maior parte dos tratamentos disponíveis." O alerta é do diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia, Marcos Antonio Cyrillo.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que 440 mil casos de tuberculose resistente são registrados no mundo todos os anos, além de cerca de 150 mil mortes decorrentes de infecções por superbactérias.

“Não há hospital livre disso. Lógico que um hospital de grande porte e de alta complexidade ou um hospital universitário com vários leitos de UTI [unidade de terapia intensiva] e que interna pacientes com cirurgias complicadas são o tipo de lugar que pode ter mais bactérias resistentes. Mas nenhum hospital ou casa de repouso com longa permanência está livre disso”, observou Cyrillo.

Para o infectologista, o uso indiscriminado de antibióticos configura, de certa forma, um problema cultural, já que o profissional de saúde se sente mais seguro ao receitar o medicamento. “Ele (o médico) acha que está fazendo um bem para o paciente, mas vários fatores precisam ser levados em conta na hora de fazer um programa de prevenção e também de orientação para o uso de antibiótico”, reforçou.

Na tentativa de conter os casos de superbactéria no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou que a venda de antibióticos só pode ser feita com a apresentação de duas vias da receita médica. O objetivo, de acordo com a gerente de Vigilância e Monitoramento em Serviços de Saúde, Magda Machado, é restringir a automedicação, já que uma via fica retida pelo estabelecimento.

Ela lembrou que, após os casos da superbactéria KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase) registrados no país nos últimos anos, a Anvisa editou uma nota técnica que trata da identificação, prevenção e controle de infecções relacionadas a micro-organismos multirresistentes. Entre as obrigatoriedades nas unidades de saúde está a higienização das mãos por meio do uso de álcool em gel por profissionais de saúde e visitantes.

Francisca Silva, 52 anos, é representante de laboratório e tem medo de contrair qualquer tipo de infecção resistente a medicamentos. “Tomo certos cuidados com a higiene porque trabalho em hospital e, por isso, estamos suscetíveis a todo tipo de contaminação. Procuro me proteger de qualquer uma delas”, contou.

A dona de casa Andreia Queiroz da Silva, 34 anos, tem lúpus, doença que compromete o sistema imunológico, e também se preocupa em manter hábitos como lavar as mãos com água e sabão quando frequenta unidades de saúde. “Acho que está faltando informação sobre essa superbactéria. Nos hospitais, é comum vermos panfletos com orientações sobre a higienização das mãos, mas muita gente não segue.”

Cleide Teixeira, 39 anos, é enfermeira e trabalha há 19 anos na mesma unidade de saúde. Além da higienização das mãos, ela usa luvas cirúrgicas descartáveis como alternativa para se proteger e proteger os pacientes de microorganismos multirresistentes. “Nós, profissionais de saúde, estamos expostos a qualquer tipo de doenças. Temos a obrigação de evitar que os pacientes sejam contaminados”, avaliou.

Leia tudo o que já escrevi sobre o assunto antibióticos e superbactérias:
- ministro da saúde alerta sobre mesmo assunto,
- uso indiscriminado de antibióticos;
- superbactérias,
- antibióticos

Considerações

Eu, Renata Fraia - Farmacêutica, comprometo-me a, a partir de agora, divulgar este mesmo artigo, incessantemente, uma vez por mês no facebook, google plus e no twitter e se você o vir por lá e também abraçar essa causa... compartilhe! Me ajude a divulgar e a combater o uso indiscriminado de antibióticos, tema que me deixa verdadeiramente REVOLTADA desde a época em que fazia faculdade de farmácia.
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3.6.11

Pepinos assassinos: Livre-se de bactérias extremamente nocivas

A notícia de que pepinos contaminados com a bactéria E. Coli já haviam se espalhado quando no Jornal Nacional, o jornalista e apresentador William Bonner anunciou: "Pepinos Assassinos" fazem 14 vítimas na Europa. A expressão seria hilária se não fosse trágica.

A notícia sobre o surto da bactéria que já infectou 200 pessoas somente nas últimas 24 horas e matou 17 pessoas, incluindo Alemanha e Suécia, se espalhou pelo mundo rapidamente. De onde partiram esses pepinos crueis?


- Pepinos -
Especula-se que tenha sido da Espanha, mas o governo espanhol afirma que a bactéria que fora encontrada nos pepinos oriundos da Espanha era outra que não a Escherichia coli.

A bactéria Escherichia coli é encontrada normalmente no intestino humano, fazendo parte de sua flora. A bactéria torna-se nociva quando entra em contato com cavidades bucais e mucosas em geral, principalmente se houver ferimento o que propicia o contato da bactéria com a corrente sanguínea.

A maioria das variedades da Escherichia coli não é tão nociva, mas mutações e resistência a antibióticos podem originar bactérias mais resistentes, as chamadas super bactérias. Leia mais...

O fato de que a fonte de infecção é desconhecida aumenta os receios, é claro, mas é só usar o bom senso que se deve ter ao manusear alimentos hortifrutigrangeiros, como verduras, legumes e frutas.

Veja abaixo, os cuidados que se deve tomar ao consumir vegetais.

HIGIENE PESSOAL

- Lavar as mãos antes de comer. Não adianta a maçã estar limpa e higienizada se suas mãos estiverem sujas.

Veja AQUI como lavar corretamente as mãos.

HIGIENE E CONSERVAÇÃO DOS VEGETAIS

- Os vegetais antes de serem comidos dever ser lavados um por um e higienizados com bicarbonato de sódio e, posteriormente, com água sanitária. Veja como fazer aqui.

- Guarde os vegetais na geladeira para retardar a proliferação de fungos e bactérias. Deixe apenas frutas com cascas grossas fora da geladeira, como banana, abacaxi, abacate e mexerica.

- Se não souber a procedência do vegetal prefira-os levemente cozidos no vapor.

- Ao fazer refeições em restaurantes NÃO coma verduras cruas.

Foto: Flickr

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26.10.10

Medidas de prevenção de infecções por microorganismos multirresistentes

A Anvisa publicou em 25/10 a seguinte nota técnica sobre microorganismos multirresistentes e a infecção hospitalar.

NOTA TÉCNICA No 1/2010 Anvisa

Medidas para identificação, prevenção e controle de infecções relacionadas à assistência à saúde por microrganismos multirresistentes.


Leia as medidas da Anvisa, na íntegra, aqui.

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23.10.10

Prevenção de infecção hospitalar

A Anvisa reuniu, nesta sexta-feira (22/10), em Brasília (DF), infectologistas, microbiologistas e especialistas em infecção hospitalar para discutir recomendações e medidas de prevenção de infecções hospitalares provocadas por microrganismos resistentes a antibióticos.

O resultado das discussões vai integrar uma nota técnica dirigida a hospitais, secretarias de saúde e comissões de controle de infecção hospitalar e será publicada nesta segunda-feira (25/10).

Atualização:
Veja a nota técnica de 25/10.
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8.10.10

Superbactéria em Brasília causa infecção hospitalar

A Secretaria de Saúde do DF informou que no início de outubro havia 58 casos de pacientes com infecção hospitalar em tratamento no DF.

A contaminação que teve início no Hospital de Base e Hospital Santa Maria se espalhou para outras instituições.

Trata-se de um surto de infecção hospitalar com uma bactéria resistente (superbactérias) e não tem relação com a nova superbactéria, originária do Sul da Ásia.

Ambas as bactérias tem origem comum. São mutações da bactéria, a Klesiella pneumoniae carbapenemase (KPC).

A bactéria dos hospitais de Brasília produz uma enzima que inativa os tratamentos com antibióticos.
Fonte: Secretaria de saúde DF

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