Novo protocolo para uso da cloroquina (e hidroxicloroquina)

Ministério da Saúde apresenta novo protocolo para uso da cloroquina. Medicamento será usado em pacientes com covid-19 no Brasil

Nesta quarta-feira (20), representantes do Ministério da Saúde participaram de entrevista sobre a pandemia de covid-19 no Brasil. O secretário-executivo substituto Élcio Franco afirmou que subiu para 6.142 o número de leitos de UTI exclusivos para pacientes com covid-19 no Brasil. 

Já um boletim do Ministério da Saúde, divulgado ontem (19), mostra que a covid-19 já infectou mais de 271 mil brasileiros; 39% dos pacientes estão recuperados; 17.971 mortes foram registradas. 

A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, falou sobre a orientação para prescrição e uso precoce das medicações de cloroquina e hidroxicloroquina.

Ministério da Saúde inclui cloroquina em tratamento de casos leves da doença

O Ministério da Saúde incluiu hoje (20) a cloroquina, e seu derivado hidroxicloroquina, no protocolo de tratamento para pacientes com sintomas leves de covid-19. De acordo com o documento divulgado pela pasta, cabe ao médico a decisão sobre prescrever ou não a substância, sendo necessária também a vontade declarada do paciente, com a assinatura do Termo de Ciência e Consentimento.

O governo alerta que, apesar de serem medicações utilizadas em diversos protocolos e de terem atividade in vitro demonstrada contra o coronavírus, ainda não há resultados de “ensaios clínicos multicêntricos, controlados, cegos e randomizados que comprovem o beneficio inequívoco dessas medicações para o tratamento da covid-19”.

Governo destina R$ 10 bilhões para ações contra novo coronavírus

O presidente Jair Bolsonaro editou medida provisória (MP) que libera R$ 10 bilhões para o Ministério da Saúde para ações de enfrentamento ao novo coronavírus, causador da covid-19, no país.

Governo de São Paulo quer contratar 4,5 mil leitos privados

Prevendo um colapso no sistema de saúde em três semanas por causa da pandemia do novo coronavírus, o governo de São Paulo fez um chamamento público para contratar 4,5 mil leitos da rede privada, sendo 1,5 mil apenas de unidades de terapia intensiva (UTI). O chamamento público foi publicado no Diário Oficial de hoje (20) e prevê investimento de R$ 594 milhões.

A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo deve pagar uma diária de R$ 1.600 por dia nos leitos de UTI, com previsão de um total de 270 mil diárias. Para as vagas clínicas, a remuneração será de R$ 1.500 por cinco dias ou mais, com previsão de 108 mil diárias.

Comentário Saúde com Ciência

Não há, até o momento, evidências científicas que justifiquem o uso da cloroquina e de seu derivado, hidroxicloroquina, no tratamento da covid19. Aliás, existem vários efeitos colaterais negativos quando o medicamento é usado. 

Por isso, antes de usar o medicamento, o paciente ou seu responsável precisam assinar um termo de ciência dos riscos antes de que o medicamento seja administrado.

Anvisa alerta sobre uso de cloroquina e hidroxicloroquina

Preocupada com notícias veiculadas na internet, sobre medicamentos que supostamente teriam eficácia no tratamento contra o novo coronavírus (Covid-19), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou uma nota alertando sobre os riscos que a automedicação pode causar para a saúde.

A nota fala especificamente dos medicamentos que contêm hidroxicloroquina e cloroquina. De acordo com a agência, esses medicamentos são usados para tratamento da artrite, lúpus eritematoso, doenças fotossensíveis e malária.

"Não existem estudos conclusivos que comprovam o uso desses medicamentos para o tratamento da Covid-19. Portanto, não há recomendação da Anvisa, no momento, para a sua utilização em pacientes infectados ou mesmo como forma de prevenção à contaminação pelo novo coronavírus", explica a Anvisa.

Para profissionais de saúde:

A FDA recomenda avaliação e monitoramento iniciais ao usar hidroxicloroquina ou cloroquina nos EUA ou em ensaios clínicos para tratar ou prevenir o COVID-19. O monitoramento pode incluir ECG basal, eletrólitos, função renal e testes hepáticos.

Esteja ciente de que a hidroxicloroquina ou a cloroquina podem:
  • causar prolongamento do intervalo QT.
  • aumentar o risco de prolongamento do intervalo QT em pacientes com insuficiência ou insuficiência renal.
  • aumentar os níveis de insulina e ação da insulina, causando maior risco de hipoglicemia grave.
  • causar hemólise em pacientes com deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD).
  • interagir com outros medicamentos que causam prolongamento do intervalo QT, mesmo após a interrupção dos medicamentos devido à meia-vida longa de aproximadamente 30 a 60 dias.
  • Se um profissional de saúde estiver considerando o uso de hidroxicloroquina ou cloroquina para tratar ou prevenir o COVID-19, a FDA recomenda a consulta em www.clinicaltrials.gov para um ensaio clínico adequado e a possibilidade de incluir o paciente.

"Para mim, escrever sobre saúde é necessidade fisiológica. Amo o que faço porque faz parte de mim." (Renata Fraia - farmacêutica e jornalista)

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